terça-feira, 8 de outubro de 2019

Um dia triste ou uma vida triste?


Os últimos dias foram corridos, no final de semana eu me mudei e ainda estou na fase de organizar tudo, limpar e todas essas coisas que após uma mudança são demandas. Para além da organização da casa nova, ainda preciso organizar a ex moradia, ou seja, pintar, limpar e entregar do mesmo jeito que peguei.
Apesar desses dias corridos e cheios de cansaço o que eu quero falar hoje é sobre uma tristeza que tem tomado conta de mim. Sabe quando você se sente triste, sozinha e quer chorar, mas não sabe de onde vem esse sentimento? É uma angustia meio sem sentido porque está tudo bem de modo geral. Tecnicamente não haveria motivos para que eu me sentisse desanimada como tenho estado esses últimos dias.
Comecei a lei o livro “O dilema do porco espinho” do Leandro Karnal e acho que um pouco desse sentimento veio com a leitura deste livro. Estou na metade, gostando muito e refletindo sobre ele. Acho que constatei que sou uma pessoa bastante solitária. Ainda não terminei o livro, mas já pude notar isso e tenho a impressão de que é esse um dos motivos de me sentir triste e desanimada. Engraçado isso, porque antes de eu me dar conta disso estava tudo ok, mas por que será que isso se tornou ruim agora, ao ponto de fazer com que eu me sinta tão triste com isso?
Quanto mais eu penso no mundo que me rodeia, em como as pessoas são tão egoístas, interesseiras, vazias, maldosas, mesquinhas e ruins esse sentimento de angustia e tristeza cresce em proporção. É claro que existem pessoas muito bacanas, mas ultimamente elas tem aparecido tão em conta gota na minha vida que faz com que eu me sinta mais deprimida. Não quero dizer com isso que é somente as pessoas a minha volta que me afetam e definem estar bem ou não, pelo contrário eu acho que sou alto suficiente em diversos momentos ou em quase todos, mas as vezes começo a perder a fé na humanidade mesmo...
Eu gosto de ficar sozinha (quase sempre, mas nem sempre), gosto de ler, assistir alguma série, refletir, estar com meus cachorros... Essas coisas me fazem muito bem.
Acho que eu sinto falta de estar perto de pessoas que possam agregar algo para além de falar delas mesmas, ou sobre seus filhos, ou sobre como sua vida é muito melhor que a de qualquer outra pessoa, ou sobre o tempo – “Nossa! Tá frio hoje né?” “Nossa! Como choveu ontem né?” –, pessoas que só falam de suas vidas ou mau de outras pessoas, ou de novela e coisas absolutamente banais que não trazem absolutamente nenhum valor.
Acho que essa forma de ser das pessoas é carência – ou não, porque na verdade essas pessoas nem se sente sozinha para se dar conta, refletir sobre as coisas ou a vida, nem nada do tipo... –, porque essas pessoas precisam falar e falar e falar para acreditar nas afirmações que faz, para se iludir com a sua verdade e com a sua vida maravilhosa.
Não quero dizer com isso que essas pessoas não sejam felizes ou algo do tipo, estou pressupondo e não é regra nenhum nada do que eu falo...
As vezes me sinto um monstro por não me importar com o que as pessoas me falam porque simplesmente não me interessa.
Claro que tem dias que ahhh, tudo bem, a gente escuta, conversa e até se sente bem, mas no geral me sinto irritada com essas conversinhas causais bobas. Mas ao mesmo tempo, sobre o que se falaria?
Acho que o que mais me irrita fora isso é aquele tipo de pessoa que TUDO o que você fala, conta, comente ou qualquer coisa NÃO supera o que a pessoa já passou na vida dela... Tipo, nem tudo é sobre você... Tem pessoas muito sem noção.
Por que as pessoas são assim?
Por que algumas pessoas são assim?
Na real as pessoas adoram ser bajuladas, isso é fato!
Acho que outra coisa que contribui para a minha tristeza é perceber que algumas poucas amizades que me restam, algumas bem próximas são completamente vazias. Quando eu gosto de uma pessoa eu faço de tudo pela pessoa, demoro muito para desistir e largar, mas quando isso acontece é um caminho meio que sem volta porque já dei tudo de mim e cansei e passo a não querer mais saber... Acho que isso pesa muito porque sabe quando você fala fala fala fala fala fala fala fala e a pessoa não absorve nada? Não estou falando de uma conversa séria, mas de inúmeras, diversas e nenhum retorno positivo.
Acho que quanto mais velha a gente vai ficando mais difícil se torna criar novos vínculos. A gente quer preservar os que têm, mas cansa perceber que tem algumas coisas que simplesmente nunca vão mudar. Sou bastante otimista e acho que todo ser humano pode mudar, entendo que nada é eterno, absoluto e acabado. Eu mesma já afirmei muitas coisas com total certeza e a vida me fez entender que você é passageiro e que tudo, absolutamente tudo está sujeito a mudar, a se transformar de uma hora para outra. Você ser resistente a isso não te traz nada de bom, pelo contrário te torna um ser humano teimoso, chato, arrogante, egoísta e burro, porque ser ignorante é a ausência de conhecimento, agora ser burro é saber que a coisa não é assim e instituir que o modo como você faz ou quer as coisas é melhor, ser burro é errar com propriedade.
Enfim, a vida sempre tem a ensinar, você pode se transformar em diversas coisas e o primeiro passo é reconhecer suas deficiências e correr atrás do que você quer alcançar.
Esse texto esta cheio de “achos” mas é isso mesmo. A minha tristeza está comigo e “acho”, mais uma vez, que logo ela vai ocupar um papel menos central na minha existência.
Triste é perceber que você não pode confiar em quase ninguém, que tem gente babaca a rodo no mundo e o pior de tudo é não saber bem ao certo o que as pessoas ganham sendo dessa maneira.
Falando nisso, está aí outra coisa que eu fico pensando e não faz sentido: todos nos somos passageiros, daqui a 80 anos ninguém que tem 20 anos hoje vai estar vivo, certo? Então por que ser um babaca? Por que agredir as pessoas física ou verbalmente? Por que ser grosseiro ou indelicado com a ignorância ou com a ingenuidade de algumas pessoas?
Sério... por que?
Por isso que por mais que as pessoas não tenha muito a agregar a você, você precisa ouvir elas falarem de suas vidas, do seu dia a dia, dos seus filhos excepcionalmente inteligentes e super dotados, do dia frio, da chuva, do calor e blá blá blá.
Uma coisa é você achar que isso não te agrega nada – assim como eu estou falando aqui –, mas é necessário que você ouça porque você vive em comunidade então é meio que uma convenção social e você precisa pela boa convivência.
As vezes não é que eu ou você não se importe, mas você só não está afim todo dia, porque tem gente que todo dia fala as mesmas coisas... Claro que você não vai ser um grosso babaca com essas pessoas, você ouve e sorri porque é assim que tem que ser, mas lá no seu íntimo você esta longe pensando noutras coisas e no seu mundinho.
Tem coisas que quanto mais eu penso menos sentido vejo.
A gente precisa saber ponderar, nem tudo são flores, mas dentro do que a gente tem precisamos fazer o melhor possível.
Ninguém merece ser mau tratado por ninguém, nada justifica isso, por mais irritado que você esteja não seja esse tipo de ser humano.
Eu estou aqui reclamando que as pessoas não tem o que agregar a minha vida, mas ao mesmo tempo eu tenho consciência de que preciso entender as limitações dessa pessoa que me fala. Cada um é cada um, a minha babaquice por estar relatando tudo isso hoje não justifica ser babaca com ninguém, pelo contrario, é preciso ter respeito pelo próximo, porque ser um babaca não justificada e não te traz nada de bom.
Por fim, me cabe torcer para que isso passe, para que eu continue a ter leveza no trato com as pessoas. Muitas vezes eu quero me importar, mas lá no fundo só estou querendo ficar no meu mundinho sem ninguém para me encher o saco e quer saber? Tá tudo bem, porque precisamos viver um dia de cada vez e a vida não é feita apenas de bons momentos. Para que possamos e consigamos valorizar os bons precisamos muito passar pelos dias tristes, chatos e pelas dificuldades da vida. É isso que nos torna pessoas melhores, que sabem se colocar no lugar do outro, que entendem os limites dos outros e que cada um sabe a dor e a delícia de ser quem é.
Para se ter bons frutos é preciso planta-los, é assim que é!

Boa terça feira!

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