Os últimos dias foram
corridos, no final de semana eu me mudei e ainda estou na fase de organizar
tudo, limpar e todas essas coisas que após uma mudança são demandas. Para além
da organização da casa nova, ainda preciso organizar a ex moradia, ou seja,
pintar, limpar e entregar do mesmo jeito que peguei.
Apesar desses dias corridos
e cheios de cansaço o que eu quero falar hoje é sobre uma tristeza que tem
tomado conta de mim. Sabe quando você se sente triste, sozinha e quer chorar,
mas não sabe de onde vem esse sentimento? É uma angustia meio sem sentido
porque está tudo bem de modo geral. Tecnicamente não haveria motivos para que
eu me sentisse desanimada como tenho estado esses últimos dias.
Comecei a lei o livro “O dilema
do porco espinho” do Leandro Karnal e acho que um pouco desse sentimento veio
com a leitura deste livro. Estou na metade, gostando muito e refletindo sobre
ele. Acho que constatei que sou uma pessoa bastante solitária. Ainda não
terminei o livro, mas já pude notar isso e tenho a impressão de que é esse um
dos motivos de me sentir triste e desanimada. Engraçado isso, porque antes de
eu me dar conta disso estava tudo ok, mas por que será que isso se tornou ruim
agora, ao ponto de fazer com que eu me sinta tão triste com isso?
Quanto mais eu penso no
mundo que me rodeia, em como as pessoas são tão egoístas, interesseiras,
vazias, maldosas, mesquinhas e ruins esse sentimento de angustia e tristeza
cresce em proporção. É claro que existem pessoas muito bacanas, mas ultimamente
elas tem aparecido tão em conta gota na minha vida que faz com que eu me sinta
mais deprimida. Não quero dizer com isso que é somente as pessoas a minha volta
que me afetam e definem estar bem ou não, pelo contrário eu acho que sou alto
suficiente em diversos momentos ou em quase todos, mas as vezes começo a perder
a fé na humanidade mesmo...
Eu gosto de ficar sozinha
(quase sempre, mas nem sempre), gosto de ler, assistir alguma série, refletir,
estar com meus cachorros... Essas coisas me fazem muito bem.
Acho que eu sinto falta de
estar perto de pessoas que possam agregar algo para além de falar delas mesmas,
ou sobre seus filhos, ou sobre como sua vida é muito melhor que a de qualquer
outra pessoa, ou sobre o tempo – “Nossa! Tá frio hoje né?” “Nossa! Como choveu
ontem né?” –, pessoas que só falam de suas vidas ou mau de outras pessoas, ou
de novela e coisas absolutamente banais que não trazem absolutamente nenhum
valor.
Acho que essa forma de ser
das pessoas é carência – ou não, porque na verdade essas pessoas nem se sente sozinha
para se dar conta, refletir sobre as coisas ou a vida, nem nada do tipo... –,
porque essas pessoas precisam falar e falar e falar para acreditar nas afirmações
que faz, para se iludir com a sua verdade e com a sua vida maravilhosa.
Não quero dizer com isso que
essas pessoas não sejam felizes ou algo do tipo, estou pressupondo e não é regra
nenhum nada do que eu falo...
As vezes me sinto um monstro
por não me importar com o que as pessoas me falam porque simplesmente não me
interessa.
Claro que tem dias que ahhh,
tudo bem, a gente escuta, conversa e até se sente bem, mas no geral me sinto
irritada com essas conversinhas causais bobas. Mas ao mesmo tempo, sobre o que
se falaria?
Acho que o que mais me
irrita fora isso é aquele tipo de pessoa que TUDO o que você fala, conta,
comente ou qualquer coisa NÃO supera o que a pessoa já passou na vida dela...
Tipo, nem tudo é sobre você... Tem pessoas muito sem noção.
Por que as pessoas são
assim?
Por que algumas pessoas são assim?
Na real as pessoas adoram ser
bajuladas, isso é fato!
Acho que outra coisa que
contribui para a minha tristeza é perceber que algumas poucas amizades que me
restam, algumas bem próximas são completamente vazias. Quando eu gosto de uma
pessoa eu faço de tudo pela pessoa, demoro muito para desistir e largar, mas
quando isso acontece é um caminho meio que sem volta porque já dei tudo de mim
e cansei e passo a não querer mais saber... Acho que isso pesa muito porque
sabe quando você fala fala fala fala fala fala fala fala e a pessoa não absorve
nada? Não estou falando de uma conversa séria, mas de inúmeras, diversas e
nenhum retorno positivo.
Acho que quanto mais velha a
gente vai ficando mais difícil se torna criar novos vínculos. A gente quer
preservar os que têm, mas cansa perceber que tem algumas coisas que
simplesmente nunca vão mudar. Sou bastante otimista e acho que todo ser humano
pode mudar, entendo que nada é eterno, absoluto e acabado. Eu mesma já afirmei
muitas coisas com total certeza e a vida me fez entender que você é passageiro
e que tudo, absolutamente tudo está sujeito a mudar, a se transformar de uma hora
para outra. Você ser resistente a isso não te traz nada de bom, pelo contrário
te torna um ser humano teimoso, chato, arrogante, egoísta e burro, porque ser
ignorante é a ausência de conhecimento, agora ser burro é saber que a coisa não
é assim e instituir que o modo como você faz ou quer as coisas é melhor, ser
burro é errar com propriedade.
Enfim, a vida sempre tem a
ensinar, você pode se transformar em diversas coisas e o primeiro passo é reconhecer
suas deficiências e correr atrás do que você quer alcançar.
Esse texto esta cheio de “achos”
mas é isso mesmo. A minha tristeza está comigo e “acho”, mais uma vez, que logo
ela vai ocupar um papel menos central na minha existência.
Triste é perceber que você não
pode confiar em quase ninguém, que tem gente babaca a rodo no mundo e o pior de
tudo é não saber bem ao certo o que as pessoas ganham sendo dessa maneira.
Falando nisso, está aí outra
coisa que eu fico pensando e não faz sentido: todos nos somos passageiros,
daqui a 80 anos ninguém que tem 20 anos hoje vai estar vivo, certo? Então por que
ser um babaca? Por que agredir as pessoas física ou verbalmente? Por que ser
grosseiro ou indelicado com a ignorância ou com a ingenuidade de algumas
pessoas?
Sério... por que?
Por isso que por mais que as
pessoas não tenha muito a agregar a você, você precisa ouvir elas falarem de
suas vidas, do seu dia a dia, dos seus filhos excepcionalmente inteligentes e
super dotados, do dia frio, da chuva, do calor e blá blá blá.
Uma coisa é você achar que
isso não te agrega nada – assim como eu estou falando aqui –, mas é necessário
que você ouça porque você vive em comunidade então é meio que uma convenção social
e você precisa pela boa convivência.
As vezes não é que eu ou você
não se importe, mas você só não está afim todo dia, porque tem gente que todo
dia fala as mesmas coisas... Claro que você não vai ser um grosso babaca com
essas pessoas, você ouve e sorri porque é assim que tem que ser, mas lá no seu íntimo
você esta longe pensando noutras coisas e no seu mundinho.
Tem coisas que quanto mais
eu penso menos sentido vejo.
A gente precisa saber
ponderar, nem tudo são flores, mas dentro do que a gente tem precisamos fazer o
melhor possível.
Ninguém merece ser mau
tratado por ninguém, nada justifica isso, por mais irritado que você esteja não
seja esse tipo de ser humano.
Eu estou aqui reclamando que
as pessoas não tem o que agregar a minha vida, mas ao mesmo tempo eu tenho consciência
de que preciso entender as limitações dessa pessoa que me fala. Cada um é cada
um, a minha babaquice por estar relatando tudo isso hoje não justifica ser
babaca com ninguém, pelo contrario, é preciso ter respeito pelo próximo, porque
ser um babaca não justificada e não te traz nada de bom.
Por fim, me cabe torcer para
que isso passe, para que eu continue a ter leveza no trato com as pessoas.
Muitas vezes eu quero me importar, mas lá no fundo só estou querendo ficar no
meu mundinho sem ninguém para me encher o saco e quer saber? Tá tudo bem,
porque precisamos viver um dia de cada vez e a vida não é feita apenas de bons
momentos. Para que possamos e consigamos valorizar os bons precisamos muito
passar pelos dias tristes, chatos e pelas dificuldades da vida. É isso que nos
torna pessoas melhores, que sabem se colocar no lugar do outro, que entendem os
limites dos outros e que cada um sabe a dor e a delícia de ser quem é.
Para se ter bons frutos é
preciso planta-los, é assim que é!
Boa terça feira!