Boa tarde!
Final de semana
terminei de ler o livro: Sobre o Suicídio de Marx.
Fiquei um pouco
frustrada com o livro, porque tem umas 60 páginas e é mais um artigo do que
propriamente um livro. Porém, apesar disso, o que mais me deixou frustrada foi
que o livro/artigo não foi escrito pelo próprio Marx, trata-se de uma junção do
que o Peuchet, que foi arquivista da polícia francesa escreveu de alguns casos
de suicídio da época e de algumas anotações que o Marx fez por cima desses
escritos. As ideias dos dois estão misturadas e a gente fica meio confusa de
onde começa Marx ou Peuchet, porque não tem essa separação. Estranho ainda é
que a obra é muito mais de Peuchet do que de Marx e o autor não aparece nem
mesmo como autor na capa do livro. Me soou como marketing porque Mark é mais
famoso do que Peuchet ou algo parecido, sabe?
Bom, o livro fala,
como bem diz seu título, “sobre o suicídio” de modo que trás essa realidade
como não sendo natural ou intrínseca ao ser humano. Mas que sempre esteve
presente na sociedade, entretanto é possível constatar que houve um real aumento
do seu índice com a efetivação do modo de produção capitalista (MPC), onde as
desigualdades sociais, a questão do pauperismo, da propriedade privada ganhar
muito mais força e efetividade nas relações sociais o que reflete na população
e acaba por desencadear um maior número de suicídios. Isso, é o que me pareceu,
mas vai também da perspectiva também de cada um, porque é uma afirmação que
precisa ser melhor fundamentada, o que o livro não oferece.
O livro é
interessante porque aborda questões que raramente são desenvolvidas nos
clássicos marxistas, como a opressão sexual e familiar, os direitos da mulher e
o aborto. O livro traz a questão de a mulher ser compreendida como uma
propriedade privada do homem após o casamento e como essa relação pode gerar
sofrimento (em alguns ou em muitos casos) que podem vir a levar essa mulher a
cometer suicídio.
Para além da questão
da mulher como uma propriedade, trazendo essa realidade (de modo mais
agravante) como uma consequência do MPC, traz também alguns poucos dados, relatados
por Peuchet que trabalhava como arquivista e registrada esses casos na época,
de que o índice de suicídio entre homens é muito mais alto do que entre as
mulheres, apesar de no livro trazer alguns poucos casos apenas de mulheres.
No final das constas
o livro faz uma crítica dizendo que o suicídio se agravou com a ascensão do
MPC. É claro que, ao meu ver, não se trata apenas disso, existem inúmeros
outros fatores que não são abordados e que nem poderiam ser num livro tão
pequeno.
Achei o livro
bastante superficial e um jogo de marketing por usar o nome forte que o Marx
tem para chamar a atenção e consequentemente vender, mas apesar disso vale a
leitura. É curtinho, rápido e de fácil compreensão!
Sobre o suicídio eu
ainda gostaria de falar mais, mas vou deixar para um outro momento. Eu como
todo mundo tenho limitações e minhas crises existenciais. Tive depressão (hoje
sei, na época não entendia muito bem) na adolescência. Tive vontade de me matar
algumas vezes, isso a não muito tempo atrás, mas aquela coisa, querer é uma
coisa e realmente fazer é outra. Às vezes a gente sofre e na verdade só precisa
de alguém ali pertinho que vai te confortar, te ouvir e fazer a dor e o
sofrimento serem menos doloridos. Não julgo quem comete suicídio porque é muito
fácil solucionar os problemas dos outros quando não sabemos pelo que a pessoa
passou, passa ou tem passado. Cada um absorve o mundo sensível de uma forma e como
isso nos afeta somente cada um dentro de sua subjetividade pode falar.
Um paragrafo que
gostei muito no livro “Sobre o suicídio” que vale a pena mencionar:
“Para saber se o
motivo que determina o indivíduo a se matar é leviano ou não, não se pode
pretender medir a sensibilidade dos homens usando-se uma única e mesma medida; não
se pode concluir pela igualdade das sensações, tampouco pela igualdade dos
caracteres e dos temperamentos; o mesmo acontecimento provoca um sentimento
imperceptível em alguns e uma dor violenta em outros. A felicidade e a
infelicidade têm tantas maneiras de ser e de se manifestar quantas são as
diferenças entre os indivíduos e os espíritos. Um poeta disse:
O que faz tua
felicidade é minha aflição;
O prêmio de tua
virtude é a minha punição”. (MARX, P. 25, nota de rodapé ***).
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