terça-feira, 13 de agosto de 2019

Fahrenheit 451 – Ray Bradbury


Terminei de ler esse livro hoje e fiquei pensando e refletindo acerca da história.
Bradbury em 1953 ao escrever este livro, criou um universo onde os livros são proibidos e os bombeiro ao invés de combater o fogo, passam a usá-lo para manter a ordem, destruindo a fonte de conhecimento, ou seja, queimando qualquer livro que encontram, porque os livros tornaram-se uma ameaça a ordem estabelecida.
As pessoas passam a denunciar seus vizinhos, conhecidos ou qualquer pessoa que tenha livros escondidos e os bombeiros vão até o local e queimam/destroem tudo. 
A história é contada através do bombeiro Guy Montag, que já esta nessa função a mais de dez anos. Toda a trama se desenrola de acordo com o seu olhar. 
Se no início do livro Montag mostra-se como um operário, sendo apenas uma engrenagem qualquer que cumpre mecanicamente ordens no trabalho e volta para dormir em casa, ao conhecer sua nova vizinha Clarisse MaClellan, ele passa a reagir como nós, leitores, diante desse universo estranho proposto por Bradbury.
Desta forma, é a partir das conversas que Montag passa a ter com Clarisse, que ele vai começa a redescobrir o mundo. Abre-se um novo horizonte, onde o seu cotidiano perde toda e qualquer vulgaridade. Montag passa a pensar e questionar os alicerces que sustentam a sua vida, desde o comportamento de sua esposa Mildred ao trágico motivo que dizimou os livros, por serem considerado subversivos.
Conseguimos perceber um contraste entre a liberdade de interlocução de Clarisse em paralelo ao vazio irreversível de sua esposa, que encontra-se afundada em quantidades industriais de pílulas para dormir, aliado ao convívio com sua família na televisão.
Todo este contexto faz com que Montag inicie sua jornada por respostas. E elas irão surgir nas palavras de seu comandante Beattry e do professor Faber. É através desses dois personagens que ficamos sabendo junto com Montag como e porque o valor da reflexão foi abandonado pela sociedade. Essa fala do comandante Beattry é de extrema importância porque te fazem refletir acerca da realidade posta naquela sociedade e também te faz refletir acerca da nossa sociedade atual. 
O livro foi escrito em 1953 e traz elementos da nossa sociedade de hoje. É incrível e assustador!
Enfim, trata-se de um livro extremamente atual, leitura fácil, tranquila e ao mesmo tempo muito profunda. Traz elementos fundamentais acerca do rumo da nossa sociedade, de como as pessoas se distanciam cada vez mais uma das outras e que virá a seguir?
As pessoas leem cada vez menos, estão cada vez mais mergulhadas na rotina frenética de suas vidas, se distanciando a cada dia de sua essência, tornando-se cada vez mais alienadas e o mais assustador de tudo (apesar de ser um principio da alienação) sem se darem conta desse processo lento e gradual que as consome diariamente de modo tão sutil que acordar desse transe é praticamente impossível.
O que será da sociedade? Como evitar (talvez) uma realidade similar a do livro?
Pensar dói e incomoda, mas ao meu ver é menos ruim do que viver dentro de uma bolha onde não existe distinção entre a ilusão e a realidade. A manipulação é tão constante e tão presente que as vezes eu acho que a minha vida é uma mentira, por que como sabemos o que somos nós mesmos e o que é reflexo de tudo o que está externo a mim e me afeta e me transforma e me torna algo que em essência eu não sou? 
O que fazer?
O que esperar?

Muita coisa para pensar, pouca certeza para falar.
A vida sendo a vida, uma eterna incógnita! 
Sem respostas definitivas, sem certezas absolutas.
Como diria Sócrates: "Só sei que nada sei". 


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