sábado, 24 de agosto de 2019

Os 30 anos


 Hoje vim falar dos meus 30 anos, isso porque amanha já ultrapasso essa linha entrando nos 31. Então estive refletindo durante essa semana e acho que senti a necessidade de falar sobre isso, sobre onde achei que estaria, onde estou e onde acho que vou estar futuramente, daqui 10 ou 20 anos.

Sobre o que eu esperava: bom, eu nunca fui de idealizar muito o futuro, sei lá, quando tinha 15 acho que me via com 30 anos formada, trabalhando na área que fosse escolher (na época ainda não sabia o que queria exatamente). Não sei, com 20 eu não era muito de ficar pensando a longo prazo, hoje acho que isso é bom, porque evita inúmeras frustrações. Bom, depois que entrei no curso de Serviço Social, vendo que me formaria com 28, minha intenção era terminar, passar num concurso, ou estar bem estabilizada na minha área quando tivesse 30 anos. Sobre isso não foi o que aconteceu, ou foi... porque na verdade antes dos 29 fui chamada num concurso que havia feito, então teoricamente eu tive em minhas mãos o que havia meio que “idealizado”. Foi opção minha não ir então né... Queria muito também fazer mestrado, no primeiro ano de SS eu queria muito e com 28, após terminar a graduação, eu consegui! Consegui aonde eu sempre quis muito! Iniciei, mas vi que não era nada do que pensei e mais uma vez abri mão de algo que achei que queria muito. Enfim, acho que poucas coisas eu desejava ter adquirido quando completasse meus 30 anos, desta forma hoje me vejo e me sinto feliz por onde estou, pelo que conquistei e com a vida que tenho. No meu íntimo sempre quis também morar em Curitiba, assim como tenho muita vontade de morar na Europa algum dia. Hoje moro em Curitiba e parece que o universo me respondeu me proporcionando isso meio que naturalmente.
Sobre o que nunca pensei quando chegasse aos 30 anos: a minha mãe foi mãe solteira, passou por muita coisa e eu tenho algumas lembranças que me afetaram muito, isso, claro, de modo inconsciente, hoje eu percebo... então eu nunca idealizei ter um namorado, casar, ter filhos... não sei, mas isso nunca foi algo que me passava pela cabeça, não sei porque, mas não pensava sobre isso em nenhum momento. Hoje com 30 anos tenho meu companheiro que é o homem da minha vida, que no dia 13.07.19 me pediu em casamento de uma forma magnifica (outro dia falo sobre isso). Estamos juntos a bastante e eu sou tão feliz com ele que eu nunca pensei que seria possível. A gente briga sim, mas no final e hoje morando juntos a quase 3 anos eu não consigo imaginar minha vida sem ele. Relacionamento é construção diária e sou grata por ter ele na minha vida, ele me faz uma pessoa melhor, me ensina diariamente como é ser uma família e a lutar por minhas coisas. Bom, tenho meu companheiro, estamos planejando o casamento, minha vida é completa por ter ele, temos dois cachorros (Buzz e Maya), queremos ter filhos em algum momento, quando as coisas se ajeitarem (sim, sei que nunca será a hora certa, sempre existe algo para melhorar e blá blá blá mas na real não acho que estamos prontos para isso e não sei se um dia estaremos, então a gente diz isso para que as pessoas não nos incomodem), se for tarde para termos filhos queremos adotar e está tudo bem.
Ter 30 anos de modo geral é muito bom, você adquire uma maturidade que não sabe dizer de onde veio, mas que está aí contigo. Acho que amadurecer e crescer é sempre bom. Cada um tem seu tempo, mas resumindo os meus 30 anos o saldo é muito positivo, estou melhor do que pensei, me sinto no controle das coisas e tenho a melhor pessoa que eu poderia ter ao meu lado.
O que eu espero quando chegar aos 40?
Bom, acho que estarei com algumas ruguinhas, talvez terei um filho ou dois, ou se passar dos 36, 37 com certeza terei adotado. Trabalhar na minha área já não é mais o maior dos meus desejos, mas seria muito bem-vindo se isso acontecer. Espero que ainda tenha meus dogs que estarão velhinhos até lá. Espero ter meu companheiro que em breve vou chamar de marido. Espero que nos dois continuemos firmes e fortes, nos apoiando e que tenhamos alcançado nossos objetivos, que hoje estamos planejando. Espero ter saúde e uma casa com quintal. Espero ter meus pais ainda vivos e com muita saúde. Espero ter viajado muito e conhecido lugares incríveis. Espero poder estar estabilizada num ponto que possa ajudar muitas pessoas. Queria muito escrever um livro, mas sinceramente não consigo visualizar o caminho até que isso posso acontecer.
O que eu espero quando chegar aos 50?
Caramba, dai complicou... está longe, não sei, num primeiro momento só quero estar viva, com meu companheiro e com saúde para poder aproveitar a vida, meus filhos e familiares e estar feliz e satisfeitas com as escolhas que me fizeram chegar aonde eu vou estar.

Enfim, é isso!
Bom final de semana :*

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Fahrenheit 451 – Ray Bradbury


Terminei de ler esse livro hoje e fiquei pensando e refletindo acerca da história.
Bradbury em 1953 ao escrever este livro, criou um universo onde os livros são proibidos e os bombeiro ao invés de combater o fogo, passam a usá-lo para manter a ordem, destruindo a fonte de conhecimento, ou seja, queimando qualquer livro que encontram, porque os livros tornaram-se uma ameaça a ordem estabelecida.
As pessoas passam a denunciar seus vizinhos, conhecidos ou qualquer pessoa que tenha livros escondidos e os bombeiros vão até o local e queimam/destroem tudo. 
A história é contada através do bombeiro Guy Montag, que já esta nessa função a mais de dez anos. Toda a trama se desenrola de acordo com o seu olhar. 
Se no início do livro Montag mostra-se como um operário, sendo apenas uma engrenagem qualquer que cumpre mecanicamente ordens no trabalho e volta para dormir em casa, ao conhecer sua nova vizinha Clarisse MaClellan, ele passa a reagir como nós, leitores, diante desse universo estranho proposto por Bradbury.
Desta forma, é a partir das conversas que Montag passa a ter com Clarisse, que ele vai começa a redescobrir o mundo. Abre-se um novo horizonte, onde o seu cotidiano perde toda e qualquer vulgaridade. Montag passa a pensar e questionar os alicerces que sustentam a sua vida, desde o comportamento de sua esposa Mildred ao trágico motivo que dizimou os livros, por serem considerado subversivos.
Conseguimos perceber um contraste entre a liberdade de interlocução de Clarisse em paralelo ao vazio irreversível de sua esposa, que encontra-se afundada em quantidades industriais de pílulas para dormir, aliado ao convívio com sua família na televisão.
Todo este contexto faz com que Montag inicie sua jornada por respostas. E elas irão surgir nas palavras de seu comandante Beattry e do professor Faber. É através desses dois personagens que ficamos sabendo junto com Montag como e porque o valor da reflexão foi abandonado pela sociedade. Essa fala do comandante Beattry é de extrema importância porque te fazem refletir acerca da realidade posta naquela sociedade e também te faz refletir acerca da nossa sociedade atual. 
O livro foi escrito em 1953 e traz elementos da nossa sociedade de hoje. É incrível e assustador!
Enfim, trata-se de um livro extremamente atual, leitura fácil, tranquila e ao mesmo tempo muito profunda. Traz elementos fundamentais acerca do rumo da nossa sociedade, de como as pessoas se distanciam cada vez mais uma das outras e que virá a seguir?
As pessoas leem cada vez menos, estão cada vez mais mergulhadas na rotina frenética de suas vidas, se distanciando a cada dia de sua essência, tornando-se cada vez mais alienadas e o mais assustador de tudo (apesar de ser um principio da alienação) sem se darem conta desse processo lento e gradual que as consome diariamente de modo tão sutil que acordar desse transe é praticamente impossível.
O que será da sociedade? Como evitar (talvez) uma realidade similar a do livro?
Pensar dói e incomoda, mas ao meu ver é menos ruim do que viver dentro de uma bolha onde não existe distinção entre a ilusão e a realidade. A manipulação é tão constante e tão presente que as vezes eu acho que a minha vida é uma mentira, por que como sabemos o que somos nós mesmos e o que é reflexo de tudo o que está externo a mim e me afeta e me transforma e me torna algo que em essência eu não sou? 
O que fazer?
O que esperar?

Muita coisa para pensar, pouca certeza para falar.
A vida sendo a vida, uma eterna incógnita! 
Sem respostas definitivas, sem certezas absolutas.
Como diria Sócrates: "Só sei que nada sei". 


terça-feira, 6 de agosto de 2019

Sobre o suicídio - Karl Marx


Boa tarde!
Final de semana terminei de ler o livro: Sobre o Suicídio de Marx.
Fiquei um pouco frustrada com o livro, porque tem umas 60 páginas e é mais um artigo do que propriamente um livro. Porém, apesar disso, o que mais me deixou frustrada foi que o livro/artigo não foi escrito pelo próprio Marx, trata-se de uma junção do que o Peuchet, que foi arquivista da polícia francesa escreveu de alguns casos de suicídio da época e de algumas anotações que o Marx fez por cima desses escritos. As ideias dos dois estão misturadas e a gente fica meio confusa de onde começa Marx ou Peuchet, porque não tem essa separação. Estranho ainda é que a obra é muito mais de Peuchet do que de Marx e o autor não aparece nem mesmo como autor na capa do livro. Me soou como marketing porque Mark é mais famoso do que Peuchet ou algo parecido, sabe?
Bom, o livro fala, como bem diz seu título, “sobre o suicídio” de modo que trás essa realidade como não sendo natural ou intrínseca ao ser humano. Mas que sempre esteve presente na sociedade, entretanto é possível constatar que houve um real aumento do seu índice com a efetivação do modo de produção capitalista (MPC), onde as desigualdades sociais, a questão do pauperismo, da propriedade privada ganhar muito mais força e efetividade nas relações sociais o que reflete na população e acaba por desencadear um maior número de suicídios. Isso, é o que me pareceu, mas vai também da perspectiva também de cada um, porque é uma afirmação que precisa ser melhor fundamentada, o que o livro não oferece.
O livro é interessante porque aborda questões que raramente são desenvolvidas nos clássicos marxistas, como a opressão sexual e familiar, os direitos da mulher e o aborto. O livro traz a questão de a mulher ser compreendida como uma propriedade privada do homem após o casamento e como essa relação pode gerar sofrimento (em alguns ou em muitos casos) que podem vir a levar essa mulher a cometer suicídio.

Para além da questão da mulher como uma propriedade, trazendo essa realidade (de modo mais agravante) como uma consequência do MPC, traz também alguns poucos dados, relatados por Peuchet que trabalhava como arquivista e registrada esses casos na época, de que o índice de suicídio entre homens é muito mais alto do que entre as mulheres, apesar de no livro trazer alguns poucos casos apenas de mulheres.
No final das constas o livro faz uma crítica dizendo que o suicídio se agravou com a ascensão do MPC. É claro que, ao meu ver, não se trata apenas disso, existem inúmeros outros fatores que não são abordados e que nem poderiam ser num livro tão pequeno.  
Achei o livro bastante superficial e um jogo de marketing por usar o nome forte que o Marx tem para chamar a atenção e consequentemente vender, mas apesar disso vale a leitura. É curtinho, rápido e de fácil compreensão!

Sobre o suicídio eu ainda gostaria de falar mais, mas vou deixar para um outro momento. Eu como todo mundo tenho limitações e minhas crises existenciais. Tive depressão (hoje sei, na época não entendia muito bem) na adolescência. Tive vontade de me matar algumas vezes, isso a não muito tempo atrás, mas aquela coisa, querer é uma coisa e realmente fazer é outra. Às vezes a gente sofre e na verdade só precisa de alguém ali pertinho que vai te confortar, te ouvir e fazer a dor e o sofrimento serem menos doloridos. Não julgo quem comete suicídio porque é muito fácil solucionar os problemas dos outros quando não sabemos pelo que a pessoa passou, passa ou tem passado. Cada um absorve o mundo sensível de uma forma e como isso nos afeta somente cada um dentro de sua subjetividade pode falar.

Um paragrafo que gostei muito no livro “Sobre o suicídio” que vale a pena mencionar:

“Para saber se o motivo que determina o indivíduo a se matar é leviano ou não, não se pode pretender medir a sensibilidade dos homens usando-se uma única e mesma medida; não se pode concluir pela igualdade das sensações, tampouco pela igualdade dos caracteres e dos temperamentos; o mesmo acontecimento provoca um sentimento imperceptível em alguns e uma dor violenta em outros. A felicidade e a infelicidade têm tantas maneiras de ser e de se manifestar quantas são as diferenças entre os indivíduos e os espíritos. Um poeta disse:
O que faz tua felicidade é minha aflição;
O prêmio de tua virtude é a minha punição”. (MARX, P. 25, nota de rodapé ***).