Leitura incrível!
Temos a trajetória de Tara Westover que nasceu e viveu até seus 16 anos na montanha com seus pais e irmãos. Tara era a mais nova dos sete irmãos. Sua família era mormon.
Em essência é essa a narrativa apresentada.
Tara narra sua vida desde crianças, nos apresenta diversas situações. Seu pai era contra seus filhos irem para a escola, tinha um ferro velho e obrigava seus filhos a trabalharem para ele de forma pouco segura e num nível alto de exploração.
Seu pai era muito religioso, achava que o simples fato de mandar seus filhos para escola faria com que eles passassem por uma lavagem cerebral e iriam contra a vontade de Deus. Era contra ir ao médico ou hospital. Em diversas situações de acidentes e familiares feridos não podiam ir ao hospital e eram tratados pela mãe de Tara que tornou-se parteira e mexia com ervas.
Dos 7 irmãos de Tara, ela e mais dois adentraram a universidades e se afastaram da família.
Falando um pouco de algumas passagens que acho importante mencionar porque me fizeram refletir acerca do livro:
Consegui sentir as angustias de Tara, o ambiente hostil em que ela vivia e o processo de entendimento da sua saída da montanha e da compreensão de que o modo de vida que seus pais lhe proporcionaram não era o ideal. O nível de loucura do pai de Tara é assustador, ele era muito devoto, achava que todas as tragédias que ocorreram com ele e com a família eram provações necessárias porque Deus fez tudo acontecer por eles serem especiais.
Os conflitos internos de Tara para compreender sua existência antes e depois de sua saída da montanha. Ela se questiona, coloca em cheque tudo e fica sem saber lidar com isso até compreender e de fato de afastar de sua família por entender melhor as coisas.
É muito interessante pensar que a estrutura da família afeta diretamente a nossa forma de ser e agir no mundo. Muitas vezes a gente não consegue ter a dimensão do quanto isso pode afetar e definir a nossa vida.
Conhecer a trajetória de Tara nos faz refletir sobre muitas coisas. Gostei muito de um diálogo entra Tara e um professor, quando ele pergunta a ela que escola ela frequentou e ela diz "nunca fui a escola", seu professor responde: "que maravilhoso!". É importante se questionar: Até que ponto somos moldados pelo sistema educacional? Tara queria frequentar a escola, mas seu pai era contra. Numa outra passagem, quando ela consegue a vaga em Cambridge, e dá uma entrevista na universidade em que estava frequentado, por ser uma aluna de destaque e ter alcançado algo tão seletivo ela não fala que nunca foi a escola, depois seu pai a questiona sobre isso, porque na concepção dele ela fora educada em casa e deve a ele sua conquista.
A alienação do pai de Tara é algo chocante, ele distorce as coisas e tem a sua própria forma de pensar e uma mentalidade fechada sobre tudo.
Em outro momento seu pai alega sentir o mau no apartamento de Tara, diz que ela deve pedir perdão e voltar a acreditar no caminho de Deus.
Tara sofre muito, passa por diversos conflitos internos, esse processo de emancipação, de libertar-se a si mesma foi lento e dolorido até que ela conseguisse ficar em paz consigo mesma.
Famílias são complicadas, algumas mais outras menos.
Gostei muito dessa leitura, a trajetória de Tara é dura, cheia de desafios e muito bonita.
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