terça-feira, 24 de novembro de 2020

O que Alice esqueceu - Liane Moriarty

 Fiz essa leitura no último feriado.

Cheguei a esse livro por influência de alguém que leu e disse ter amado.

Sobre isso, antes de qualquer coisa, quero dizer que essas influências que a gente sofre, às vezes, nos trazem algumas frustrações. Isso nos faz delinear melhor quem a gente acompanha e também analisar melhor nosso perfil e passar a conhecer o seu estilo de leitura.

Por influência cheguei a este livro, li, gostei, mas não achei ele tão excepcional quanto ouvi falar por aí.

Como eu disse: é questão de gosto, você aprende a identificar o que gosta, mas tentar ler algo que alguém indica é importante para você aprender e delinear o seu estilo.

O livro trás a Alice, que tem 39 anos, é casada, tem 3 filhos e encontra-se em crise com seu marido. Alice esta na academia e sofre uma queda, bate a cabeça, é socorrida, desperta do desmaio e não entendo que tá acontecendo, por que esta numa academia? Como foi parar ali? Que roupa era essa que estava usando? ... Inúmeras questão lhe surgem, isso tudo porque com a queda ela perdeu a memória dos seus últimos 10 anos de vida, ou seja, ela acha que tem 29 anos, que está grávida de seu/sua primeira/o filho/a, acha ainda que sua vida está ótima com seu marido. 

O livro começa com Alice se deparando com essa nova realidade. Aos poucos ela vai se inserindo nesse novo contexto que é bem distante do que ela se lembra.

Você vai lendo, entendendo os conflitos familiares, os 10 anos que ela perdeu vão sendo apresentados a Alice e ao leitor, você vai se surpreendendo e entendendo melhor tudo como se apresenta distante das lembranças de Alice. 

Trata temas interessantes, como: a relação de Alice com a sua irmão. Alice teve três filhos, sua irmão sofreu diversos abortos e as duas se distanciaram nesses 10 anos esquecidos e Alice não entende o que houve. Sua relação com o marido mudou muito, ela não entende o distanciamento, os problemas, as brigas... Tem a Gina, uma pessoa que quando mencionada gera um desconforto em todo mundo e Alice não entende o por que disso e aos poucos tudo vai se encaixando. 

Alice mudou muito e se deparou com uma pessoa que ela desconhece totalmente. A ponte que passa a existir entre a Alice de 29 anos e a de 39 passa por um processo que você acompanha junto com a Alice.

De modo geral é esse o enredo do livro. Eu gostei, mas não achei nada excepcional, me pareceu um livro tipo "sessão da tarde". O problema é apresentado, tudo vai acontecendo, tudo vai ficando bem e pronto, acaba... 

Os conflitos familiares são interessantes, de fato te fazem refletir, mas a gente sabe que na vida nem tudo acaba bem e dá tudo certo no final, então a gente precisa saber lidar com isso. A leitura foi fluída e li bem rápido porque estava muito querendo sabe o fim dessa história. Achei muito conto de fadas, e superficial em âmbito geral porque como disse: a vida não é bem assim. 

É claro que a leitura de um livro é algo prazeroso e muita gente vai amar, mas descobri após essa leitura que eu não gosto de história "mamão com açúcar" onde tudo é perfeito (de modo geral) e todo mundo acaba super bem, porque na minha perspectiva a vida não é simples assim. 

O que acho importante pontuar apesar disso é que os temas abordados são muito relevantes, me senti tocada na parte em que a irmã da Alice frequenta um grupo que elas chamam de "as inférteis", pois trata-se de um grupo de mulheres que não conseguem engravidar. O drama dessas mulheres, em especial da irmã da Alice é bem envolvente, passar por diversos abortos, criar uma expectativa imensa e não conseguir segurar o feto... confesso que nessa passagem eu me emocionei porque só quem passa por um problema assim sabe como é e eu pude perceber que deve ser doloroso em um nível que eu não consigo imaginar e que a autora trás de uma forma muito bem desenvolvida. 

Enfim, é isso.

É importante respeitar seu gosto e investir em leituras que vão te proporcionar prazer. Não amei esse livro como algumas pessoas, mas ele me tocou ao seu modo e isso é o que vai ficar quando pensar nele.


Boa semana!!! 

O Crepúsculo e a Aurora - Ken Follett

Que leitura incrível! Amei esse livro. É um lançamento 2020 e logo que saiu eu já fiquei empolgada e querendo muito ler!

Ken Follett trás o período de 997 a 1007 onde temos ataques vikings e personagens incríveis.

Esse livro faz parte da trilogia, por assim dizer, de: Os Pilates da Terra, Mundo Sem Fim e Coluna de Fogo. Na verdade essa história de passa antes desses três livros, temos o processo de surgimento da cidade de Kingsbridge. 

Temos três personagens principais que são: 

Edgar que é um jovem construtor de barcos que vive com a sua família em Combe, que é um povoado que pertence a Shiring. Edgar é impedido de viver o tão sonhado amor com sua amada Sunni que foi morta durante uma invação na região de Combe pelos vikings. A cidade é devastada e muitas pessoas são assassinadas e então Edgar e sua família se mudam para o povoado: Travessia de Dreng. 

Ragna é filha de um nobre da Normandia. Jovem, bonita, determinada, destemida e com habilidades para solucionar conflitos se apaixona pelo Senhor de Shiring: Wilwulf, mas logo percebe que entrou em um ninho de cobras, pois após o casamento ela descobre que seus meio irmãos, Wynstan (bispo) e Wigelm (vassalo), impõe as leis de forma como bem querem, visando seus próprios interesses. Ragna se depara com injustiças e com muitas coisas erradas. 

Aldred que é um monge idealista, ansioso por formar uma biblioteca em sua abadia, luta para tornar o seu povoado um lugar próspero e livre de opressão dos senhores feudais. 

Temos uma grande tensão entre Igreja, nobreza e os servos que perpassa toda a história.

A história é bem construída, bem contextualizada e tudo se encaixa sem nenhuma brecha ou ponta solta. 

Além de ler uma história muito boa, como é de praxe, você aprende história com Ken Follett. 

Eu já li Pilares da Terra a alguns meses, e ver o processo de construção da cidade de Kingsbridge que antecede esse livro é bem interessante porque te ajuda a entender melhor os períodos.

Acho que o que mais impressiona nessas narrativas é ver como os julgamentos aconteciam no período, era o senhor feudal que julgava e as formas de punição eram as mais absurda e em alguns casos muito injustas. O jogo de interesse é enorme, ler isso gera um desconforto, imagina para quem de fato viveu no período! 

Temos muito presente também a questão da submissão das mulheres. Haviam escravas/os, haviam senhores com mais de uma esposa, o que não era permitido, mas acontecia e fazia-se vista grossa em relação a isso. Para além disso também temos muito presente os clérigos terem família, viverem frequentado os bordéis e "tudo bem" porque quem mandava eram que tinha poder.

Gostei muito, recomendo e a cada leitura eu gosto mais de Ken Follett. 

Estou lendo no momento: Mundo Sem Fim e estou gostando muito :)

Boa semana!!

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Olá!!

Terminei de ler dois livros desde a última postagem do blog até agora, mas confesso que estava desmotivada para vir aqui e contar um pouco sobre essas leituras.

Então hoje eu vim falar um pouco sobre coisas aleatórias.

Bom, 2020 tem sido um ano difícil, será que só pra mim?

Acho que tantos planos e desejos foram adiados devido a pandemia e ao atual cenário que não tem como a gente não se sentir um pouco desmotivada em alguns dias. 

O que posso dizer até agora como um apanhado geral da vida como um todo, é que nos últimos meses tenho percebido que quanto mais a gente amadurece, vive e envelhece mais a gente nota algumas mudanças significativas na vida da gente.

As mudanças quase sempre ocorrem de modo muito sutil e provavelmente você demore para fazer essa alto análise, mas quando faz percebe o quanto você evoluiu (ou não) como ser humano. 

Anda notando que a vida, a nossa rotina afasta muitas pessoas. Um dos motivos de isso acontecer é porque a gente sabe bem no fundo que cada um acaba sendo consumido pela sua própria rotina de trabalho, estudo, família entre outras coisas, o que é muito natural até certo ponto.

Outro motivo é a falta de interesse (ou "tempo"), o egoísmo e o trabalho que dá se importar com as pessoas, nesse caso é sempre muito mais confortável e cômodo ignorar esquecendo de retornar aquela mensagem, esquecendo dos aniversários, falando aquela boa e velha frase de quando você encontra a pessoa na fila do supermercado: "aah sim... vamos marcar algo, vamos marcar!!!" e que fica nisso porque ninguém vai marcar, mas a ilusão dessa frase gera um conforto não é verdade?

A verdade é que você vai cada vez mais restringindo seu circulo de pessoas e se vê em alguns desses momentos sozinha, sem ninguém ou com pouquíssimas pessoas as quais você pode de fato contar na vida. Isso pensando numa boa conversa, ou assistir um filme, tomar um café ou conhecer aquela nova podaria com doces diferentes ou algo do tipo.

Acho que é assim porque a vida torna a gente assim, mas em contra partida fico com uma frase que uma professora me disse uma vez e que sempre levo comigo: 

"Você só esquece o que não tem importância para você, seja de modo consciente ou não".

Deixo essa reflexão para você que esta lendo fazer. 

Enfim, é isso, a gente sobrevive e precisa aprender a valorizar as pessoas que de fato merecem. Não são fotos e declarações públicas que expressam que alguém gosta de você, mas sim o que a pessoa faz por você quando ninguém está olhando. 

Finalizando só posso dizer que estou emotiva hoje, que algumas coisas me frustraram muitos nos últimos meses e confesso estar um pouco tomada de desanimo nesse momento porque tem fases da vida que a gente fica se perguntando: o que quero fazer? estou infeliz hoje, então para onde devo ir? por onde começar uma mudança? pessoas que eu gostava muito se mostraram interesseiras/sacanearam e agora? quem fica disse tudo? o que imposta? o que fazer? para onde vou? quem eu sou? o que quer? e por ai vai.... mas sei que isso passa e tá tudo bem... a gente precisa desses momentos de reflexão para trilhar novos caminhos e seguir em frente.

Só para mencionar ainda que esse desanimo esteja presente, ele é uma parte da minha vida, me vejo num momento de transição e posso afirmar que em sua totalidade, a minha vida, está com um saldo positivo!!

Coisas muito boas aconteceram este ano também e sou muito, muito, muito grata pelas pessoas maravilhosas que tornam a minha vida especial e que estão ao meu lado todos os dias. 

Enfim (de novo), a vida são ciclos, ninguém busca mudar ou se afastar de alguém se está feliz e satisfeito com o que tem. 

Ou seja: a gente aguenta mais do que acha e tudo se supera :)