segunda-feira, 1 de junho de 2020

O Cortiço – Aluísio de Azevedo

Terminei de ler agora a pouco e quis vir comentar sobre essa leitura porque tem alguns pontos bem interessantes. 

Achei esse livro muito interessante. Os primeiro 30% achei meio chato, com uma linguagem esquisita e sei lá, achei chato mesmo. Mas temos que considerar que ele foi escrito em 1890, outros tempos.
Este livro é considerado uma obra-prima de Aluísio de Azevedo, sendo sua principal obra e caracterizado pela estética realista-naturalista na literatura brasileira.

O livro começa com João Romão que é um português que trabalha numa venda/quitanda para um outro português. Ele estava com salários atrasados e o dono do lugar resolve voltar para Portugal e deixa a quitanda para ele como forma de pagamento pelos atrasados.
João Romão tem contato com a Bertoleza, uma negra, escrava que perde seu companheiro. Ele a trás para trabalhar com ele. Ficam “amigados”.
João Romão é muito pão duro, guarda tudo e explora muito Bertoleza. Com o dinheiro que vai guardando vai comprando terrenos e construindo pequenos quartinhos.
Certo dia se muda ali perto outro português. Miranda veio com sua esposa Dona Estela e sua filha pequena.
João Romão e Miranda brigam por uma parte do terreno e não entram em acordo.
Temos os moradores do cortiço, lavadeiras, trabalhadores, gente muito humilde.
João Romão vai comprando e construindo. Adquire uma pedreira. Contrata um cavouqueiro que se chama Jerônimo.
Jerônimo de muda com esposa e filha pequena para o cortiço. Ele é também português, muito trabalhador. Faz João Romão ter mais lucros ainda na pedreira, fazendo os trabalhadores trabalharem mais ainda e sendo esperto no reconhecimento do que precisa ser feito.
Temos Rita Baiana, amigada com Firmo.
Jerônimo se encanta com a mulata, acaba por brigar com Firmo. Jerônimo leva uma facada, fica muito tempo no hospital. Encontra-se encantado por Rita, se afasta da mulher e logo se perde em seus encantos. Quando saí depois de meses do hospital, se arranja com mais dois para dar cabo de Firmo e depois larga a esposa para viver com Rita Baiana. Perde-se nos encantos e se “abrasileira”. Deixa de mandar dinheiro para esposa e para filha, que se perdem em meio a nova condição.
Temos Pombinha, uma menina muito doce e querida por todos. Ela saber ler e escrever, ajuda a todos no cortiço com cartas e notícias. Ainda não “virou mocinha”. Tem um noivo que só espera por isso para casar-se com ela. Quando isso acontece, a mãe espalha a notícias aos quatro ventos. Ela se casa e as duas vão embora do cortiço.
Temos ainda Léonie, que é uma prostituta que sempre visita o cortiço. Gosta muito de Pombinha e entre elas acontece algo numa vista que achei estranho e assusta a pobre Pombinha.
Miranda consegue um título. João Romão fica cheio de inveja.
Começa a se vestir melhor e fazer de tudo para adquirir um título também.
Resolve tentar casamento com a filha de Miranda.
Um amigo, Botelho, hospedado na casa de Miranda o ajuda a conseguir tal proeza.
Só que existe um atrapalho, precisa dar cabo de Bertoleza, pois não lhe caí bem ser sido “amigado” de tal escrava. Pensa em mata-la.
Botelho lhe da um conselho, se a entregar ao antigo dono, visto que ela não era negra alforriada. Faz isso e essa parte acaba triste.
O casamento fica arranjado e logo o título que tanto almeja lhe chega.
Sobre Pombina, depois de dois anos ela não aguentou e se separou. Teve alguns amantes, o marido não aceitou e logo foi viver com Léonie. Sua mãe quase morreu de desgosto, mas teve que aceitar.
Pombinha e Léonie visitam o cortiço e já tem em vista o cultivo de uma nova prostituta.

De modo geral é esse o enredo da história.
Achei interessante e gostei muito de algumas partes.
Uma delas foi quando um dos moradores do cortiço procura Pombinha e lhe pede que escreva uma carta a mulher que ele havia expulsado de casa porque a pegou com outro homem no mato e ela disse que queria ter um filho para virar ama de leite das senhorinhas para ter uma renda para sobreviver. A mulher disse ao marido que ele nunca a “embuchou” então ela daria seu jeito. Depois disso o homem a expulsou, mas o tempo passou e ele sentia tanta saudade dela e a queria de volta mesmo ela tendo o traído e engravidado de outro. Disse não se importar, que a perdoaria porque não queria mais ficar sem a mulher. Depois de escrever a carta a Pombinha dialoga com seus pensamentos e reflete sobre o “poder” que uma mulher pode ter sob um homem. É neste momento que ela passa a não querer mais se casar com o Costa, seu noivo. Ela sabe que precisa se casar para ter uma vida melhor, mas tem total clareza que sente repulsa por ele.

Outra parte interessante é perceber como João Romão busca sempre fazer de tudo para alcançar o que ele quer. Pão duro ao ponto de numa situação em que ocorre um incêndio no cortiço, em que alguns morados morrer por isso, ele rouba umas garrafas de um morador porque percebe que elas estão cheias de dinheiro dentro. Ele recolhe todas as garrafas e passa a noite a contar o dinheiro do moribundo falecido.

Por fim: achei o livro muito bom, cheio de facetas e que mostra a realidade como ela era na época em que fora escrito. Mostra a miséria do povo tentando sobreviver, a ambição de João Romão acima de tudo sempre explorando ao máximo todos os humildes morados do cortiço. Mostra ainda de onde vem alguns jargões utilizados ainda hoje, tais como: “mas são umas lavadeiras mesmo... “ Porque no cortiço havia muitas lavadeiras e elas fofocavam sobre tudo e todos que por ali passavam. Não deixavam nada passar, nunca e sempre estavam metidas em toda e qualquer confusão.

Enfim, é isso.
Vale muito a pena a leitura.
Eu só acho que exigir que adolescentes leiam no ensino médio é meio inadequado, eu diria, porque tem algumas passagens que exigem maturidade que, talvez, adolescentes não tenham ainda nesse momento da vida. E também, é uma leitura difícil, chatinha no começo, nem todo mundo vai apreciar, eu diria, menos ainda adolescentes.
Eu na adolescência não lia nada, achava tudo chato. Eu não tive que ler o cortiço, mas se tivesse, acho que provavelmente teria enrolar porque não teria me atraído muito não. Enfim, é isso!!

Boa noite, boa semana!

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