terça-feira, 26 de maio de 2020

Novembro de 63 – Stephen King

Que livro legal!
Vou escrever sobre ele com muitos spoilers, então caso queira ler o livro, melhor ler meu “resumo” depois.

Jake Epping é um professor de inglês em 2011. Ele da aulas em uma escola e também em uma turma de pessoas mais velhas – como se fosse um supletivo –, onde corrige uma redação com uma história que mexe muito com ele.
Trata-se da história de Harry Dunning que é o zelador da escola onde ele trabalha. Na redação Harry conta sobre o dia em que seu pai matou sua mãe e seus três irmãos com um martelo e como isso mudou toda a sua vida, além de deixa-lo manco. O fato ocorreu no halloween de 1958.
Jake da um A para Harry, ele se forma e comemoram na lanchonete de Al Templeton. O local é pouco frequentado, os hambúrgueres são muito baratos e ninguém entende como isso é possível. Jake sempre vai até lá e gosta muito. Nessa noite de comemoração da formatura de Harry, tiram uma foto que vai para o mural de Al na lanchonete.
Passasse um tempo.
Jake esta corrigindo redações ou provas e recebe uma ligação de Al na escola. Ele acha isso estranho, visto que frequenta a lanchonete, mas não chega a ser próximo de Al.
Al pede que ele vá até lá e Jake apesar de achar isso estranho vai.
Na lanchonete Jake encontra Al bastante debilitado, magro, doente e aparentando estar mais velho do que no dia anterior em que o havia visto.
Al lhe fala sobre a “toca do coelho”, uma entrada que ele tem em sua dispensa que lhe leva para setembro de 1958. Jake acha isso absurdo e improvável, mas quando passa pela toca e fica lá para tomar uma cerveja, se surpreendendo com os baixos preços e com o sabor fenomenal da bebida.
Al lhe explica sobre a carne barata que sempre compra em 1958 e que vende em sua lanchonete, lhe explica ainda que sempre que se passa pela toca, não importa o tempo que se passa lá – sejam dias ou anos – quando se retorna para 2011, ali só se passaram 2 minutos. Explica também que sempre que se passa pela toca volta-se para o mesmo dia de setembro de 1958.
Al tinha por objetivo viver lá com o proposito de evitar o assassinato do presidente John F. Kennedy em 22 de novembro de 1963. Porém Al teve que voltar porque percebeu que estava muito doente e que morreria sem conseguir cumprir com seu objetivo.
Pede que Jake faça isso porque acredita que o mundo seria um lugar melhor sem o assassinato do presidente.
Jake acha tudo loucura, diz que vai pensar, eles se encontram algumas vezes. Al lhe passa as informações que coletou durante os anos em que esteve no passado sobre o assassino de Kennedy, Lee Harvey Oswald. Al lhe fala sobre as apostas, para conseguir dinheiro, sobre o que dizer as pessoas para evitar perguntas. Lhe fala sobre o homem do cartão amarelo (que depois torna-se o homem do cartão laranja/preto/ocre).
Jake propõe fazer um teste, mesmo depois de Al já lhe ter explica que havia salvado uma garotinha de ser atingida por um tiro durante uma caçada que a deixaria paraplégica. Al a salvou numa das ida ao passado, retornou e viu a mudança que provocou, contudo quando retornou ao passado e voltou novamente ao presente, a linha do tempo que havia salvo a garota se desfez, como se tivesse zerado ao que era inicialmente. Diante disso, Jake propõe salvar Harry, o zelador da escola que havia escrito a redação sobre o dia em que seu pai mudou sua vida matando sua mãe e os três irmãos.
Nessa segunda ida a toca do coelho – a primeira foi quando ele tomou a cerveja com sabor inigualável – Jake consegue interferir, salvando quase toda a família de Harry, apenas um dos irmãos não sobrevive. Depois de fazer isso, ele retorna ao presente e checa as informações da mudança que causou.
Neste momento, Al encontra-se muito debilitado, pede que Jake assuma a missão de evitar a morte de Kennedy. Lhe diz vai perder seu restaurante e muito provavelmente a toca do coelho vai desaparecer para sempre. Nesse meio tempo Al acaba falecendo. Jake fica triste e chateado e decide voltar novamente ao passado, dessa vez fazendo tudo certo: salvando Harry e toda a sua família, salvado a garotinha que levaria o tiro na caçada por acidente e evitando a morte de Kennedy.

Bom, é depois desse começo que a história torna-se mais interessante.
Jake assume a identidade de George Amberson, consegue salvar Harry e sua família e a garotinha e depois muda-se para Dallas. Ele consegue um diploma meio que por EaD e torna-se professor substituto de Jodie.
Nessa cidade, que fica a alguns quilômetros de Dallas, Jake, agora George instala-se, consegue algumas aulas e faz diversas amizades.
Lembrando que ele precisa se ocupar até 1963 e estava neste momento em 1958.

Esse período que ele passa em Jodie é bem interessante e gostoso de ler. Jake, agora George conhece a Mimi, uma senhora negra que é bibliotecária na escola da cidade e que namora o senhor Deke que é viúvo a pouco tempo e é o diretor da escola. Os dois vão se casar nesse meio tempo. George torna-se professor substituto e com o tempo ganha espaço e torna-se professor em tempo integral. Ele diz que esta escrevendo um romance e usa isso como desculpa em diversos momentos para justificar a resistência em aceitar dar aulas em período integral, porque ele esta estudando como pode evitar o assassinato de Kennedy.
Conhece Sadie, que vem para substituir a dona Mimi, que infelizmente acaba falecendo por estar com uma doença grave.
Apaixona-se por Sadie e o relacionamento deles é lindo. Sadie é bem alta e bastante desastrada.

O tempo vai passando.
Sadie tem um ex-marido que está em processo de divorcio. Esse ex-marido é um tanto quanto problemático, o relacionamento dos dois foi estranho, eles tinham “um cabo de vassoura” entre eles.
Esse ex-marido segue Sadie e um dia tenta mata-la, deixando-a com um corte no rosto que a deixa com uma cicatriz terrível. George e Deke tentam evitar, mas chegam tarde para evitar o estrago, mas conseguem salva-la com vida. O ex-marido se mata em seguida.

Depois disso inúmeros tratamentos são necessários, acontecem diversas coisas na escola, os alunos gostam muito de Sadie e fazem um evento para arrecadar recursos para ajuda-la com as cirurgias e por aí vai.
É muito legal ver a harmonia que existe na cidade, como as pessoas se relacionavam, como se davam bem e viviam de uma forma totalmente diferente.

Bom, depois disso o dia do assassinato de Kennedy vai se aproximado.
George vai ficando tenso com isso e uns meses antes ele faz uma aposta, porque é uma das formas que ele tem de ganhar dinheiro fácil, conforme Al lhe havia ensinado. Faz uma aposta em um lutador, ele e Sadie vão assistir a luta, o lutador dele vence e George busca o dinheiro. Depois disso alguns homens o seguem e batem muito nele, pois querem saber como ele faz essas apostas inusitadas e ganha dinheiro fácil, os caras acham que ele esconde algo. George fica muito machucado, é socorrido mas fica com a memória comprometida. Lembra de coisas aleatórias e fica com um joelho que lhe faz mancar.
O dia do assassinato se aproxima. George lembra-se de algumas coisas o que lhe possibilita ir evitar o assassinato de Kennedy.
Só tem um detalhe: o passado não quer ser mudado, então tudo se harmoniza para que o George não consiga chegar ao local e coisas estranhas e absurdas acontecem.
Sadie acaba indo com ele, os dois conseguem evitar o assassinato, mas Sadie acaba sendo baleada por Lee e não resiste.
Toda impressa aborda o ocorrido.
George vai para um hotel, fala com policiais e investigadores.
Kennedy liga para ele e agradece por salva-lo. No mesmo dia a primeira dama também liga para e lhe agradece por salvar seu marido.
George encontra-se muito triste. Quer tentar voltar e salvar Sadie.
Os agentes conversam com ele e dizem que pesquisaram sobre a vida dele e pouco encontraram. Dizem que ele deve voltar de onde quer que tenha vindo, que é a melhor das opções desaparecer porque será difícil suportar toda tensão que surgirá depois deste dia.
George liga para Deke, se despede.
Volta para o Maine e encontra o homem do cartão ocre, eles conversam sobre as “cordas do tempo”. Ele explica a George que ele deve corrigir as coisas. Então retorna para o presente.
Quando ele volta vê tudo muito diferente.
Encontra uns garotos que tiram sarro dele e um senhor numa cadeira de rodas. Ele ajuda esse senhor e depois descobre que se trata de Harry.
Harry lhe explica tudo o que houve após novembro de 63.
George ouve e fica em choque com tudo.
Volta pela toca do coelho e zera tudo.
Pensa em deixar carta para Sadie, mas quando conversa com o homem do cartão ocre tem medo de como isso poderia interferir e não deixa nada.
Retorna para 2011, se muda e segue sua vida.
Busca por notícias de Sadie, tem muita saudade... descobre que ela virou deputada ou senadora, que fora prefeita de Jodie, que realizou inúmeras boas ações em diferentes lugares. Descobre ainda que ela foi atacada pelo ex-marido e que o estrago em seu rosto era para acontecer independente se sua existência na vida dela.
Ele vai até Jodie, no local onde haverá uma homenagem a Sadie naquele dia. A encontra com mais de 80 anos, conversa com ela brevemente. Dança a música deles. Ela diz que sente que o conhece.
Sadie não se casou, não teve filhos e teve uma vida plena, apenas sem a presença de George.
George, que em 2011 é Jake fica feliz em encontrá-la e assim termina.

Sobre o final: eu gostei depois de refletir um pouco sobre, porque se for pensar bem não havia outra forma de acabar, acho que o final condiz com a trajetória da história e tinha que acabar assim como acabou. 
George ao voltar para o seu tempo depara-se com uma realidade catastrófica além de ter na memória a morte de Sadie. Ao reiniciar tudo e deixar tudo como sempre foi essencialmente, ele abre mão do que viveu com Sadie, mas em contra partida permite que ela tenha uma vida plena sem ele. Sadie acaba tendo uma vida promissora e o encontro com ela no seu tempo faz todo sacrifício de não poder ficar com ela valer a pena porque ela teve uma existência memorável e fez a diferença na vida de muitas outras pessoas. Isso para George basta e é assim que a vida é. 

É um livro bem legal, gostoso de ler, te faz sentir e querer viver na década de 60.
Em diversos momentos são mencionadas músicas que te fazem vivenciar mais ainda o período. Gostei bastante, é triste mas muito envolvente e vale a pena.
Eu ainda acho que gostei mais do detalhamento da vida do George, da rotina, das pessoas, das interações que ele teve do que propriamente da história central que é evitar a morte de Kennedy.
Enfim, Stephen King é assim, a história nunca gira somente em torno da história, tem toda uma contextualização que é muito envolvente eu adoro isso nos livros.


Tem a série também que eu já assisti e gostei. É claro que existem diferenças e adaptações, mas o final é o mesmo.

É isso, boa semana!! J






terça-feira, 5 de maio de 2020

Os Cinco Porquinhos – Ágatha Christie

Livro gostoso de ler, envolvente, bem escrito é muito bom!
Com quase 300 páginas traz Carla Crale buscando o detetive Hercules Poirot para investigar a possível inocência de sua mãe: Caroline Crale.
Carla completou 21 anos e recebeu uma carta que sua mãe lhe deixou quando ainda estava presa para que ela tivesse acesso apenas nesta idade. Sua mãe morreu após um ano presa. Nesta carta, Caroline afirma ser inocente do crime que fora acusa e por isso, Carla busca pelo detetive, para descobrir a verdade.  
Há 16 anos, quando Carta tinha 5 anos de idade, seu pai Amyas Crale, que era um pintor em ascensão morreu após beber um copo de cerveja que continha veneno.
Diante disso, temos 5 personagens que estiveram presente no dia do ocorrido:

1. Philp Black – é corretor da bolsa, era o melhor amigo de Amyas;
2. Meredith Brack – irmão mais velho de Philp, é proprietário rural, gosta de ficar em casa, dedicou-se por um tempo a lidar com remédios caseiros, ervas, uma espécie de Boticário;
3. Elsa Greer – trata-se de uma “rapariga”, Amyas estava se envolvendo com ela e cogitada deixar Caroline e se casar com ela. Atualmente é empreendedora, já se casou 3 vezes, sempre que troca de marido é com o intuito de que seja melhor do que o último, ou ainda que este tenha algo a mais a lhe oferecer;
4. Cecília Williams – preceptora da menina Ângela;
5. Ângela Warren – meia irmão de Caroline, devia ter 15 anos na época.

Bom, esse é o cenário.
O detetive Poirot começa a investigar, indo dos advogados da família Crale, até o advogado de acusação, ao assistente do juiz e vai coletando informações.
Na sequencia, chega nessas 5 pessoas e conversa com cada um dos “5 porquinhos”.
Pede que cada um escreve um breve relator sobre o dia do ocorrido.
Todos fazem e assim ele vai construindo seus argumentos para descobrir se Caroline é ou não inocente e no caso de sua inocência, descobrir quem é o verdadeiro culpado.

Não dá para falar muito mais sem dar spoiler.
As últimas 15 páginas são as de revelação e tudo se direciona para uma coisa e de repente tudo se inverte e você fica surpresa com a reviravolta da autora.

É isso!
É o segundo livro que leio dela e gostei também tanto quanto do outro.
Uma escrita fluida, fácil, com a história bem amarrada e com um desfecho sempre surpreendente.

Boa semana!! J

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Quarentena

Desde 15 de março mais ou menos estamos em quarentena por aqui.
Eu não tenho ficado só em casa, vou para o escritório quando preciso, vou no mercado, farmácia, fui ao médico e por aí.
Essa situação tem me deixado tão reflexiva e deprimida que eu não sei muito o que mais dizer.
Tenho lido muito e isso tem me distraído. Fico em casa e trabalho, ok. Não ter que ir até o trabalho, o que dava 30min de carro é algo bom em partes, pelo tempo que ganho, mas é ruim porque não ver pessoas, não estar noutro ambiente que não seja a minha casa é algo bem incômodo. Fico feliz até em dirigir depois de tantos dias trancada em casa, vê se pode?
Bom, diante da quarentena já pensei em cancelar o casamento, por medo de até lá não estar tudo bem, mas tenho esperança que até setembro, minimamente, as coisas estarem suficientemente em condições de rolar o casamento, ou seja, mantemos.
Fora essa questão de ter que ficar em casa o máximo de tempo possível (meus cachorros agradecem), tem toda a questão de como tudo será depois... Acho que a normalidade que vejo muita gente querendo e pedindo nunca mais vai existir. Passamos para um novo modelo de sociabilidade, onde muita coisa vai ter que mudar. Show, barzinhos, restaurantes, igrejas, escolas, como será? E quando tudo isso vai passar?
Difícil pensar e tentar imaginar esse novo cenário.
Sem contar a questão da economia, dos empregos, da miserabilidade que toda essa situação fez a gente começar a visualizar.
As pessoas precisam levar a sério essa questão de isolamento, a vida acima de tudo precisa prevalecer. Nossos governos precisam dar o suporte para quem precisa.
Sei que tudo isso vai passar e espero que isso aconteça logo apesar de saber que isso não é simples e infelizmente demorará.
Ansiedade fica a mil, incertezas de tudo também, complicado lidar com tudo isso.
Iria viajar para minha cidade agora nesse feriado, mas por prudência achamos melhor não ir. A saudade das pessoas esta grande, é horrível ficar longe da família e dos amigos nesse momento que não podemos nem sair de casa, mas sejamos fortes.

É isso, só queria dizer que não está sendo fácil, mas que cedo ou tarde vai tudo passar. Teremos uma nova forma de viver e seja ela boa ou ruim nós iremos nos adaptar.

Bom ferido, bom final de semana! J

O Cemitério – Stephen King

Temos Louis Creed que é um médico de Chicago que conseguiu emprego em uma universidade na cidade do Maine. Ele se muda com sua esposa Rachel, sua filha Ellie de 5 anos e seu caçula Gage de quase 2 anos de idade. Temos também o gato da família, Church.
A casa que ele comprou fica bem próxima de uma estrada bastante movimentada.
Do outro lado dessa estrada temos um casal, o Sr. Jud e Sra. Norma. São um casal já com idade avançada, Jud passa dos 80 anos.
Logo que eles chegam já se apresentam e Jud ajuda a tirar um ferra de abelha de uma das crianças.
Louis fica bem próximo de Jud, sempre tomando umas cervejas em sua varanda no final do dia. Próximo a casa de Louis tem um caminho que leva a um bosque, Ellie pergunta e Jud explica que o caminho leva a um “simitério” dos bichos, onde as crianças iam para enterrar seus bichinhos e combina de leva-los até lá um dia desses.
Alguns dias se passam, a família está em casa o Jud propões irem até lá. A família toda gosta da ideia e vão. Chegam ao “simitério” depois de uma longa caminhada e encontram diversas sepulturas de bichinhos enterrados. Jud explica e conta um pouco sobre a história do local.
Louis começa a trabalhar e tem uma experiência traumática durante a primeira semana quando Victor Pascow, um estudante que foi fatalmente ferido ao ser atropelado por um carro faz com que Louis tenha uma nova visão sobre a morte. Louis e os demais médicos e enfermeiros fazem todo o possível, mas o rapaz morre. Porém antes morrer, fala algumas coisas para Louis que ele não entende muito bem. Na noite seguinte, Louis tem uma experiência que inicialmente achava se tratar de um sonho, mas depois percebeu não foi. Pascow aparece para Louis e o leva ao sombrio “simitério” e se refere especialmente ao “vale da morte”, ou seja, uma perigosa pilha atrás das árvores que forma uma barreira atrás do “simitério”. Pascow avisa Louis para ele não ir além, não importa o quanto ache que precise, nunca deve ultrapassar aqueles limites. Louis acorda no dia seguinte, convencido de que tudo foi apenas um sonho, até reparar na coberta e nos seus pés e vê-los sujos de terra. Inicialmente tem certeza de que teve um pesadelo pelo trauma da morte de Pascow e que a sujeira trata-se apenas do seu sonambulismo.
Louis conversa com sua esposa sobre a morte e percebe que ela trata isso com muita dor, sofrimento e que não é do tipo que aceita isso com naturalidade. Rachel revela uma situação que passou na infância, quando sua irmão mais velha ficou doente e foi definhando até morrer e como isso foi traumático e por isso não consegue lidar com a morte com naturalidade.
No dia das bruxas as crianças vão pedir doces e Louis esta na casa de Jud com Ellie. Norma tem um mal estar, Louis a ajuda até a ambulância chegar. Ela teve um infarto mais logo estaria bem. Jud se sente em dívida com Louis por ele ter ajudado.
Chega o dia de Ação de Graças. Rachel e as crianças vão para Chicago passar com seus pais. Louis não vai, porque não quer e tem um conflito antigo com o pai de Rachel.
Louis passa o dia com Jud e Normal.
No final daquele dia, Jud chama Louis e o avisa que tem um gato morto no seu gramado, Louis vai ver e é Church. Aparentemente nada ferido, mas um carro deve tê-lo acertado na estrada e arremessado para o gramado de Jud. Louis fica triste porque não sabe como contará para a filha sobre a morte do gato. Sua esposa com relação a morte é bastante sensível então ele fica aflito em relação a isso.
Jud conversa com Louis sobre o “simitério” e diz que por estar em dívida com Louis o levará até lá. Eles vão, Louis não entende muito bem, mas leva Church. É um longo caminho, o enterra e depois retornam.
No dia seguinte Church reaparece vivo, com um cheiro forte de terra, com um olhar esquisito, parecendo meio que um zumbi, mas vivo. Louis conversa com Jud e ele lhe explica sobre o “simitério” indígena micman, fala sobre alguns casos de animais que retornaram, inclusive de ele mesmo ter feito isso com o seu cão quando era criança, que se trata de algo muito antigo que quem vive na região sabe. Diz ainda que a maioria dos animais fica em “meia fase”, mais tranquilos e que não chegam a fazer mau algum. Louis pergunta se pessoas já foram enterradas lá e voltaram e Jud fica meio nervoso mas diz que não.
Rachel e as crianças retornam, estranham um pouco o gato mas tudo bem, acham que ele esta diferente porque ele foi castrado recentemente. A única diferença que o gato passa a apresentar é que começa a matar passarinhos, camundongos e afins, coisa que não fazia antes. 
Um dia a família no jardim aproveitando o dia, Gage saí correndo, Louis o segue, mas ele vai para estrada e o pior acontece...  Gage é arrastado por mais de 100 metros e morre. Todos ficam muito abalados.
Os pais de Rachel vem para o velório, o garoto é enterrado.
Jud desconfia que Louis esta pensando em levar o garoto ao “simitério”. Ele lhe conta sobre um caso onde depois da segunda guerra um pai inconformado pela perda do seu único filho levou o filho lá e ele retornou. Diz que o rapaz ficou estranho e parecia possuído por algo ruim.

O livro pode ser dividido em três momento:
- A contextualização do cenário e dos personagens;
- A tristeza que se apodera devido ao ocorrido e;
- O "simitério" como o grande acontecimento. 

Bom, as últimas 50 páginas do livro revelam o desenrolar da história que eu não vou contar para não estragar a surpresa.
Gostei do livro, mas achei o final não tão bom, explico: o livro todo te faz pensar sobre a morte, sobre perda de um ente querido, ou um bichinho de estimação, te faz pensar sobre como isso deve ser encarado como algo natural por fazer parte da vida. A gente sabe que perder alguém nunca é fácil, a gente sabe também que falar para quem perde que a morte faz parte da vida é muito fácil. Mas quem já perdeu alguém próximo, ou um bichinho de estimação que amava muito sabe que é doloroso, triste e a saudade sempre vai existir. O que eu posso dizer é que a gente nunca se esquece, seja da pessoa ou do bichinho. A gente sempre vai lembrar e com o tempo isso tende a ficar menos doloroso. A ausência torna-se uma saudade que aperta, mas que logo, ou com o passar do tempo você entende que é passado. Quem falece não deve ser esquecido, mas a vida continua no final das contas e a morte faz parte da vida, não podemos esquecer isso. Devemos encarar isso não como “dane-se, todo mundo morre”, mas como algo natural, como a única certeza que temos.
Quando uma criança morre é chocante porque poxa, teria a vida todo ainda pela frente.
Quando um adulto morre, dependendo das circunstancias, também é chocante e prematuro.
Quando uma pessoa idosa morre a aceitação é mais “tranquila” por assim dizer, porque nesse caso, muitas vezes a pessoa teve uma vida linda: casou, trabalhou, teve filhos, educou-os, teve netos, bisnetos e partiu porque chegou a sua hora.
Tudo é questão de perspectiva. A gente precisa sofrer com as coisas mas também devemos seguir em frente acima de tudo.

Acho que é isso.
Esse livro já queria ler fazia um tempo.
Até lembrando do filme, que eu já havia assistido, conversando com meu noivo hoje ele disse que é exatamente igual o final, eu confesso que não lembro muito do filme e achei que era diferente.

Sobre o final do livro que é igual ao filme: eu achei que terminaria melhor, porque deu a entender que o Louis não aprendeu nada com tudo o que acontece nessas últimas 50 páginas. É claro que também temos que levar em conta que havia uma força no local que parecia dominar o Louis. Em muitos momentos ele conversa com ele mesmo e ele sabe que não deve, mas ele faz porque parece estar dominando por algo mais forte, por um mau que faz ele meio que enlouquecer. 
Outra coisa que evidencia isso, essa força do mau, é que o motorista do caminhão que ocasiona a tragédia, diz que quando chegou naquela estrada sentiu uma vontade tremenda de acelerar e não era de fazer isso. Inclusive depois deu no rádio que ele havia tentado se matar por se sentir muito culpado

Bom,  mas de modo geral, refletindo sobre a coisa em si: Louis que era médico que tratava a questão da morte com naturalidade, nos mostra que quando a coisa atingiu a sua família, tudo mudou. Porque entendemos que é fácil ser racional quando não é com a gente e dar conselhos para os outros, mas que quando a coisa é pessoal, quando é com a nossa família daí a gente tem a emoção falando mais alto e nos afetando de um modo totalmente diferente de tudo o que a gente dizia acreditar até então. 

Enfim, é isso.
Bom feriado, bom final de semana J