quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Comodismo

O ser humano é um ser interessante, pois se prende a rotina, as pessoas, ao ritual sagrado que passa a ser o seu dia, há sua semana, o seu mês e o seu ano. Por mais que não queiramos nos acomodar a nossa rotina, acho eu praticamente impossível que isso não ocorra de algum modo, porque infelizmente faz parte da natureza humana e quer queira quer não um dia vamos nos pegar nessa situação. Pior do que o comodismo é a luta pela permanência dele, afinal ele é confortável, a gente se adapta a isso de um jeito que parece imbricado ao nosso ser, como se nunca tivesse ocorrido de outro modo a não ser desse, naturalizamos o nosso dia a dia e achamos ruim quando temos que sair dessa condição. Mas, por que isso acontece? Sinceramente eu não sei explicar, mas vivi (ainda estou vivendo em partes) um momento como esse. Quando a gente se apega tanto aos costumes de realizar tais ações ou a estar com tais pessoas, passamos a entrar em conflito se aquela rotina é realmente necessária porque eu gosto dela, ou se ela é comodismo porque não quero sair da minha zona de conforto. 

A realidade é que com o passar dos anos acabamos nos tornando conservadores, toda aquela fúria da adolescência de ser ‘vida loca’ se vai, deixamos de arriscar, deixamos de não nos preocupar, deixamos de achar que o que importa é o hoje. Com a idade vamos sossegando, vamos nos preocupando com o futuro (de certo modo), somos obrigados a trabalhar, estudar, adquirir responsabilidades e por aí vai... Todo esse movimento torna-nos conservadores! Criticávamos tanto nossos pais, mas acabamos por tornarmo-nos como eles. É um movimento tão natural, mas que na adolescência jamais poderíamos perceber que assim seria.

Não acho que a vida deve se tornar ‘acomodação’, mas para isso não ocorrer penso eu que quando estamos com pessoas que amamos, não importa o que se pretende fazer, tendo essas pessoas contigo, não será rotina nunca, até mesmo aquela ação cotidiana se torna prazerosa, porque o amor faz isso acontecer. A ação pode ser a mesma, mas a presença da pessoa ali faz tudo valer a pena e se tornar maravilhoso. Quando a gente gosta/ama realmente, não deixamos a coisa cair na mesmice.
Quando você muda sua ‘acomodação’, seja por vontade própria ou porque a vida lhe impõe isso e percebe que foi o melhor caminho, provavelmente é porque essa rotina não estava te fazendo tão bem quanto você achava. Muitas vezes precisamos de um balde de água fria para perceber que não estamos felizes, ou que o mundo, a vida pode e é muito mais do que aquela simples rotina. A gente se fecha para o mundo, achando que é a coisa certa, se entregando a alguém ou ao comodismo porque acha que a sua vida é isso, mas quando você leva esse ‘balde de água fria’ percebe que não é assim, que isso foi sim necessário para te fazer perceber quanto ainda pode e vai acontecer, quanto a sua vida é e pode vir a ser muito mais do que o que você até então achava que seria. 

Não se prive, não se anule, não fique se prendendo por coisas ou pessoas. Quando existe um sentimento verdadeiro, tudo se ajeita, mas quando não existe, simplesmente acaba e a rotina se torna acomodação e nada mais é prazeroso, tornando-se insustentável até que um belo dia tudo desmorona.
A vida é um emaranhado de incertezas, por mais que se planeje a gente nunca vai ter absoluta certeza que assim será até a hora de acontecer. Reviravoltas acontecem e fazem parte, pois a certeza do certo que parecia tão certo se torna incerto e inconstante, fazendo com que tudo vire de pernas para o ar de uma hora para outra. A única certeza que se faz presente é o aqui, o agora, porque infelizmente por mais que queiramos achar que algo é ou pode ser para sempre não existe comprovação ou certeza, pode sim ser para sempre ou não porque assim era para ser, mas também pode simplesmente terminar e aí? Aí acabou e você tem que se adapta a sua nova condição. 


Ainda bem que o ser humano é um ser que se adapta facilmente as mudanças quando elas ocorrem. E assim, assim caminha a humanidade, por mais um dia que marca presença sem saber se o amanhã vira a acontecer realmente.

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