Trata-se de uma distopia que inspirou algumas outras obras bem famosas, como: Admirável Mundo Novo; 1984; Laranja Mecânica.
O livro foi publicado em 1924 em um período bastante tumultuado e de bastante tensão política na Rússia. Visto que a Revolução Russa ocorreu em 1917.
Apesar do livro não ter a intenção de crítica a sociedade russa naquele momento, ele foi proibido e boicotado no país. Não somente esse livro, mas todos os romances que o autor escreveu foram boicotados depois disso e as pessoas não podia ter acesso a nada do que ele escrevia.
A edição que eu li trás ao final uma resenha do próprio George Orwell (autor de 1984) escrita em 1946 sobre o livro e sobre a dificuldade de acesso do mesmo.
Trás também uma carta que Zamiátin escreveu ao Lénin enviada em 1931 onde ele pedia o exílio da Rússia, já que ele como um autor de livros não poderia suportar que as suas obras fosse boicotadas e não chegassem a população.
Falando da história em si:
Temos uma espécie de diário escrita pelo D-503. Ele vive em uma sociedade utópica em que tudo é maravilhoso, tudo da certo, funciona muito bem, não existe miséria, nem pobreza e é tudo perfeito. Essa sociedade é governada e dirigida por uma instituição que é chamada de Estado Único, que tem como comandante o chamado Benfeitor.
Nessa sociedade todas as construções são feitas de vidro, para que os Guardiões, que são os chamados mantenedores da ordem, possam monitorar tudo sem muita dificuldade.
Nessa sociedade todas as pessoas possuem uma tabela de horas, que é como se fosse uma agenda de tudo o que cada pessoas precisa fazer em cada hora, em cada momento do dia. Ao longa das semanas cada cidadão tem as chamadas “horas pessoais”, que é quando eles tem direito de fazerem o que eles quiserem, fechar as cortinas desses quartos de vidro de onde eles vivem e ter um pouco de privacidade.
Tudo nessa sociedade tem hora: hora de acordar, de trabalhar, de chegar em casa, comer, dormir e fazer sexo.
Quando as pessoas querem ter relações privadas com outras pessoas elas precisam preencher um ticket rosa e entregar para a pessoa que elas querem. Nessa sociedade não existe casamento, constituição de família nem nada disso. As pessoas se relacionam apenas sexualmente, ou seja, elas não tem um relacionamento nos moldes da atualidade. As pessoas são serem sozinhos e isolados, que não precisam de ninguém, não tem sentimentos nem nada do tipo, mas ocasionalmente possuem momentos de prazer.
O D-503 é um engenheiro que está envolvido no projeto de construção da “Integral”, que é uma espécie de veiculo utilizado por essa sociedade para exploras outros lugares.
O D-503 é um cidadão exemplas dentro dessa sociedade, ou seja, ele não questiona, chega sempre no horário bem certinho, faz tudo conforme sua agenda, cumpre meticulosamente todas as suas funções com perfeição até que um belo dia acontece algo e tudo isso começa a mudar.
Os cidadãos dessa sociedade possuem um único momento, por assim dizer, de diversão coletiva: que é ficar dançando o hino do Estado Único em uma praça. Em uma dessas danças o D-503 vai conhecer a I-330.
A I-330 é tudo o que o D-503 não é. Ela faz perguntas que questionam o Estado Único, que questiona o status quo em que eles estão vivendo, coisas que para ele, até este momento, era perfeitamente normal, natural e inquestionável. A I-330 vai plantas a sementinha da dúvida/questionamento no D-503.
Assim, o D-503 começa a se questionar, começa a se abalar com as possíveis respostas destes seus questionamentos. É a partir daí que a história de “Nós” vai se desenrolar.
Bom, sobre o livro como um todo: não se trata de uma distopia cheia de ações e reviravoltas, trata-se mais de um livro reflexivo e introspetivo.
Talvez isso ocorra por se tratar de um livro antigo, ou por se tratar de um livro russo, ou ainda pode ser que foi a intenção do próprio autor mesmo.
De modo geral: a maneira como o autor explora essa sociedade distopica é uma maneira bem dentro da cabeça do D-503, tanto no que se refere a quem esta desobedecendo o Estado Único como quem está obedecendo e ajudando ele.
O D-503 ao longo da história tem alguns delírios, você fica meio confusa até entender que algumas coisas não são reais e é só a imaginação dele, ou são sonhos... mas ok, faz parte da construção do livro.
O autor nos mostra uma sociedade sintética, estéril, onde tudo é limpo, tudo é feito de vidro, tudo é organizado, as pessoas se vestem com uniformes, todas iguais. Mas, daí o autor nos mostra que a natureza humana sempre acha um jeito de desabrochar em meio a toda esta esterilidade.
Isso é representado muito bem pela alegoria da mão peluda do personagem principal. Quando a I-330 começa a questionar o D-503 sobre a ordem das coisas e a naturalidade do que eles viviam, ela ressalta o fato do D-503 ter as mãos peludas. Isso para ele sempre foi algo muito incomodo, porque lembravam mãos de macaco e lembrava como ele era selvagem mesmo vivendo em meio a toda essa esterilidade.
Os dois também começam a se render a alguns vícios, tais como: bebidas, cigarros que são coisas proibidas nesse novo mundo.
É interessante acompanhar essa “corrupção” do que é higiênico, perfeito e ordenado.
Não temos também aquela perspectiva de “vamos derrubar o governo” ou temos um vilão que precisa ser derrotado. As coisas acontecem em primeira pessoa e vão se desenrolado por si só e se resolvendo também por si só.
Enfim, o livro é legal, eu confesso que não gostei tanto quanto achei que iria gostar, mas tendo servido de base para tantas outras distopias é muito bacana conhecer.
Achei ele confuso, precisei pesquisar um pouco para entender melhor e é isso.
Boa semana!! J