terça-feira, 31 de março de 2020

Nós – Ievguêni Ivánovitch Zamiátin

Trata-se de uma distopia que inspirou algumas outras obras bem famosas, como: Admirável Mundo Novo; 1984; Laranja Mecânica.
O livro foi publicado em 1924 em um período bastante tumultuado e de bastante tensão política na Rússia. Visto que a Revolução Russa ocorreu em 1917.
Apesar do livro não ter a intenção de crítica a sociedade russa naquele momento, ele foi proibido e boicotado no país. Não somente esse livro, mas todos os romances que o autor escreveu foram boicotados depois disso e as pessoas não podia ter acesso a nada do que ele escrevia.

A edição que eu li trás ao final uma resenha do próprio George Orwell (autor de 1984) escrita em 1946 sobre o livro e sobre a dificuldade de acesso do mesmo.
Trás também uma carta que Zamiátin escreveu ao Lénin enviada em 1931 onde ele pedia o exílio da Rússia, já que ele como um autor de livros não poderia suportar que as suas obras fosse boicotadas e não chegassem a população.

Falando da história em si:
Temos uma espécie de diário escrita pelo D-503. Ele vive em uma sociedade utópica em que tudo é maravilhoso, tudo da certo, funciona muito bem, não existe miséria, nem pobreza e é tudo perfeito. Essa sociedade é governada e dirigida por uma instituição que é chamada de Estado Único, que tem como comandante o chamado Benfeitor.
Nessa sociedade todas as construções são feitas de vidro, para que os Guardiões, que são os chamados mantenedores da ordem, possam monitorar tudo sem muita dificuldade.
Nessa sociedade todas as pessoas possuem uma tabela de horas, que é como se fosse uma agenda de tudo o que cada pessoas precisa fazer em cada hora, em cada momento do dia. Ao longa das semanas cada cidadão tem as chamadas “horas pessoais”, que é quando eles tem direito de fazerem o que eles quiserem, fechar as cortinas desses quartos de vidro de onde eles vivem e ter um pouco de privacidade.
Tudo nessa sociedade tem hora: hora de acordar, de trabalhar, de chegar em casa, comer, dormir e fazer sexo.
Quando as pessoas querem ter relações privadas com outras pessoas elas precisam preencher um ticket rosa e entregar para a pessoa que elas querem. Nessa sociedade não existe casamento, constituição de família nem nada disso. As pessoas se relacionam apenas sexualmente, ou seja, elas não tem um relacionamento nos moldes da atualidade. As pessoas são serem sozinhos e isolados, que não precisam de ninguém, não tem sentimentos nem nada do tipo, mas ocasionalmente possuem momentos de prazer.
O D-503 é um engenheiro que está envolvido no projeto de construção da “Integral”, que é uma espécie de veiculo utilizado por essa sociedade para exploras outros lugares.
O D-503 é um cidadão exemplas dentro dessa sociedade, ou seja, ele não questiona, chega sempre no horário bem certinho, faz tudo conforme sua agenda, cumpre meticulosamente todas as suas funções com perfeição até que um belo dia acontece algo e tudo isso começa a mudar.
Os cidadãos dessa sociedade possuem um único momento, por assim dizer, de diversão coletiva: que é ficar dançando o hino do Estado Único em uma praça. Em uma dessas danças o D-503 vai conhecer a I-330.
A I-330 é tudo o que o D-503 não é. Ela faz perguntas que questionam o Estado Único, que questiona o status quo em que eles estão vivendo, coisas que para ele, até este momento, era perfeitamente normal, natural e inquestionável. A I-330 vai plantas a sementinha da dúvida/questionamento no D-503.
Assim, o D-503 começa a se questionar, começa a se abalar com as possíveis respostas destes seus questionamentos. É a partir daí que a história de “Nós” vai se desenrolar.

Bom, sobre o livro como um todo: não se trata de uma distopia cheia de ações e reviravoltas, trata-se mais de um livro reflexivo e introspetivo.
Talvez isso ocorra por se tratar de um livro antigo, ou por se tratar de um livro russo, ou ainda pode ser que foi a intenção do próprio autor mesmo.
De modo geral: a maneira como o autor explora essa sociedade distopica é uma maneira bem dentro da cabeça do D-503, tanto no que se refere a quem esta desobedecendo o Estado Único como quem está obedecendo e ajudando ele.
O D-503 ao longo da história tem alguns delírios, você fica meio confusa até entender que algumas coisas não são reais e é só a imaginação dele, ou são sonhos... mas ok, faz parte da construção do livro.
O autor nos mostra uma sociedade sintética, estéril, onde tudo é limpo, tudo é feito de vidro, tudo é organizado, as pessoas se vestem com uniformes, todas iguais. Mas, daí o autor nos mostra que a natureza humana sempre acha um jeito de desabrochar em meio a toda esta esterilidade.
Isso é representado muito bem pela alegoria da mão peluda do personagem principal. Quando a I-330 começa a questionar o D-503 sobre a ordem das coisas e a naturalidade do que eles viviam, ela ressalta o fato do D-503 ter as mãos peludas. Isso para ele sempre foi algo muito incomodo, porque lembravam mãos de macaco e lembrava como ele era selvagem mesmo vivendo em meio a toda essa esterilidade.
Os dois também começam a se render a alguns vícios, tais como: bebidas, cigarros que são coisas proibidas nesse novo mundo.
É interessante acompanhar essa “corrupção” do que é higiênico, perfeito e ordenado.
Não temos também aquela perspectiva de “vamos derrubar o governo” ou temos um vilão que precisa ser derrotado. As coisas acontecem em primeira pessoa e vão se desenrolado por si só e se resolvendo também por si só.

Enfim, o livro é legal, eu confesso que não gostei tanto quanto achei que iria gostar, mas tendo servido de base para tantas outras distopias é muito bacana conhecer.
Achei ele confuso, precisei pesquisar um pouco para entender melhor e é isso.

Boa semana!! J

sexta-feira, 27 de março de 2020

Os Homens que não Amavam as Mulheres – Stieg Larsson

Que livro bacana!
Estava a um bom tempo na minha lista. 
Terminei de ler agora.
Esse livro tem o filme que eu já tinha assistido as duas versões: a americana e a sueca. 
O livro trouxe tudo o que já estava no filme e isso tornou a leitura meio repetitiva, porque eu já sabia toda a história, mas confesso que gostei muitíssimo mais do livro. Traz muito mais detalhes e algumas coisas acontecem de um jeito bem diferentes.
Temos jornalista o Mikael Blomkvist que é um dos donos da revista Millennium que publica uma matéria sobre um empresário e suas operações suspeitas. Ele meio que caiu numa armadilha, uma fonte despeja as informações, mas depois desaparece. Diante disso, ele é acusado de ter sido leviano, não ter provas consistentes, de ter difamado o empresário e é condenado a três meses de prisão.
Neste meio tempo um outro empresário famoso, o Henrik Vanger entra em contato com ele e o contrata para solucionar um enigma que é o desaparecimento de uma sobrinha que aconteceu em 1966. Pede ainda que ele faça uma bibliografia da família Vanger.
Isso tudo acontece na Suécia.
Bom, temos ainda a Lisbeth Salander que é uma hacker que trabalha para Armansky que é o dono de uma empresa de segurança bem grande e muito bem conceituada.
Lisbeth investiga Mikael para o advogado de Henrik e é por isso que ele é contratado. Ela é extremamente boa no que faz, o livro traz a história dela. Essa parte é igual ao filme. Esta personagem é bem interessante, traz uma perspectiva diferente de julgamento o que você vai identificando nos momentos de fala dela.
Bom, Mikael começa a sua investigação, descobre algumas coisas mediante uma nova pista através de uma fotografia. Ele precisa de ajuda, conversa com o advogado da família Vanger que indica Lisbeth e assim eles começam a trabalhar juntos.
Mikael, ao contrario do que temos no filme, cumpre sua pena, ele fica 2 meses preso, eram 3, mas pelo bom comportamento consegue reduzir a 2 meses. Enquanto ele está preso ele segue trabalhando e quando saí continua.

A grosso modo é isso.
Se contar mais vai perder a graça, mas resumindo: ele descobre o que aconteceu com Harriet, a sobrinha desaparecida. Depois disso ele quase morre e á Lisbeth quem o salva.
A Millennium se recupera da crise.
Acho que os momentos de maior tensão foi depois que ele descobre o que houve com Harriet e tem uma perseguição e um desfecho bem diferente do filme, eu gostei bastante.
O título do livro se evidencia com o desenrolar da história, você entende que vai além do simples desaparecimento de Harriet.
Enfim, apesar de já saber da história eu gostei, trouxe uma riqueza de detalhes que eu, particularmente, gosto muito. Achei o livro fluido, gostoso de ler, te prende de um jeito que fez eu ler em 6 dias.
Acho que é isso, vale a pena!
Quero ler os outros, não sei quando, mas pretendo.

Bom final de semana! J

sábado, 21 de março de 2020

Os Testamentos – Margaret Atwood

Terminei de ler ontem e achei esse livro muito bacana!
O livro trás a continuação do Conto da Aia, após o evento final e começa 15 anos depois daquele ponto.
Temos 3 personagens femininas que narram a história que fecham o Conto da Aia.
Temos a Tia Lydia que relata como Giliad começou, como ela assumiu a posição em que ela se encontra no Conto da Aia e também no livro. Ela era uma juíza antes de tudo, defendia muitas mulheres e era excelente no que fazia. Conta seu processo e é muito legal entender o processo de outra perspectiva.
Temos a Agnes que faz parte de uma família muito bem renomada em Giliad. Ela frequenta a escola, tem todo o seu dia a dia. Agner vai contanto diversas coisas, a mãe dela esta doente, acaba falecendo, ela vai juntando algumas peças e descobre que essa sua mão que morre não era sua mãe de verdade, ou seja, ela é aquela filha perdida do Conto da Aia. Essa descoberta parece meio obvia, mas é bem legal o processo narrativo, a história em si e perceber como o contexto em que se esta inserido afeta diretamente tudo, quem somos, o que passamos a querer e absolutamente tudo.
A terceira personagem é a Deyse, também chamada de Bebê Nicole e depois Jade. Essa personagem foi contrabandeada de Giliad quando Bebê, mora no Canadá e existe uma busca enorme por ela. Não vou dar mais detalhes para não estragar a história. Vale muito a pena a leitura!
Essas três personagens vão contanto suas perspectivas até o momento em que seus destinos se cruzam e temos o desenrolar da história.
O livro tem como principal objetivo situar como Giliad chegou ao fim, porque no Conto da Aia, naquele último capítulo temos um encontro acadêmico onde é falado sobre Giliad, mediante a leitura do Conto da Aia e a gente compreende que houve um momento em que essa sociedade ruiu e acabou. Com o livro Os Testamentos você entende como isso aconteceu.
No final, temos também mais um Simpósio Acadêmico, que ocorre três anos após aquele outro em que mais uma vez temos a conversa sobre o relato, agora descoberto, de Os Testamentos.
Ocorre o dialogo sobre Os Testamentos e sobre as duas meninas e o que terá acontecido com Tia Lydia.

Bom é isso, gostei muito, achei a história um pouco romantizada, mas fluida, tranquila, de fácil compreensão.
Achei o fechamento da história muito bonito e adorei.
No Conto da Aia, como disse quando escrevi sobre o livro, ele acaba com uma baita interrogação, porque é um final aberto, que basta em si mesmo, não acho que uma continuação seja necessária, mas adorei que ela veio!

Enfim, é isso, leia os 2 livros, vale muito a pena, te faz pensar.
Bom final de semana J

sexta-feira, 20 de março de 2020

Sobre a escolha do vestido de noiva – Terceiro (e último) Ateliê

Parte 3/3

Seguimos com meu relato.
Depois de ter ido aos dois ateliês que mencionei estava animada porque sabia que estava perto de encontrar o que eu buscava em um vestido de noiva.
Pesquisei na internet, no google mesmo e apareceu um lugar. Fui ver os modelos no site mesmo, achei alguns, selecionei, entrei em contato e marquei.
Não estava lá muito animada, porque não achei que já iria encontrar o que queria, visto pelo começo do processo. Então não fui com tanta “sede ao pote”.
Agendei e coincidiu de uma amiga minha estar em Curitiba. Eu ia desmarcar, mas a minha amiga fico super empolgada de ir comigo e então fomos.
Chegamos lá, nos apresentamos, aguardamos e então a costureira/estilista veio nos receber e conversamos, expliquei o que eu buscava, mostrei fotos, mostrei os modelos que havia visto no site dela e ela foi trazendo, um, dois, três, uns dez vestidos eu acho!
Fui provando um a um, provava, tirava foto. Detalhe: só no final que fui ver que tinha uma plaquinha que dizia “proibido fotografar”. Pedi mil desculpas, mas ela disse q tudo bem e me perdoou!
Provei diversos, pude me sentir noiva me vendo de muitos modelos, alguns que eu nem imaginava que eu iria poder gostar. Isso eu achei maravilhoso, porque ela não me limitou ao que eu “achava” que queria, ela trouxe muitos e a partir disso eu fui provando e vendo que mesmo eu achando que não ficaria legal em mim não custa prova e me surpreendi ao ver como modelos que eu não imaginava poderia cair bem em mim!
Enfim, foi muito bacana, me sentir acolhida e super a vontade.
Depois de provar todas as opções que ela me trouxe, selecionei os que mais gostei e ela me passou os valores. Valores esses muito mais acessíveis, sem contar que os modelos contemplavam muito mais o que eu buscava.
Selecionei 3, mas foi um que ficou na minha cabeça e foi esse que acabei fechando depois de um mês dessa primeira visita.
Retornei, provei novamente, acertamos e foi isso!

O vestido que eu escolhi trouxe um pouco do primeiro ateliê, dentro da possibilidade de ele ser mais armado se eu assim quiser; trouxe as flores que eu me encante no segundo ateliê, porém lá o vestido era muito degotado e transparente, o que não faz meu estilo, tanto que isso me incomodou bastante naquele modelo; trouxe a leveza que eu buscava e é totalmente perfeito.
Quando penso no dia do casamento, na escolha, no processo, sabe quando você vê outros modelos mas esta 100% segura de que o seu é o mais lindo e o mais perfeito que poderia ser? Pois bem, é assim que eu me sinto! Totalmente realizada.

Ah, eu ainda fui num outro local ver vestidos, mas foi tão frustrante que vou só falar rápido aqui. Foi lá em Toledo, deu uma chance, porque vai que eu me encantasse mais por algum lá não é?
O atendimento foi mais ou menos, eu não havia marcado horário, porque achei que não precisasse. Cheguei lá me olharam meio torto, mas uma noiva atrasou e puderam me atender.
Falei o que buscava. Me trouxeram três modelos para provar.
Provei os três, não pude tirar nenhuma foto porque só poderia se alugasse algum deles. Tipo: como assim? Eu não consigo entender muito bem essa abordagem, porque essas pessoas acham que eu vou, provo e fecho, simples assim? Sem pensar, sem olhar melhor os detalhes que tirar uma foto me proporcionam? Eu não sei, entendo que muitas pessoas tiram fotos e depois levam para uma costureira fazer e pagam muito menos, mas ahh, eu acho bobagem isso.
Resumindo: Não pude tirar fotos, ela me passou os valores, falei que ia pensar, mas na real não gostei muito de nenhum deles e agora nem se quer me lembro como eles eram...
Questionei sobre as fotos no instagram delas, me disseram que não colocam muitas fotos porque a pessoa precisa ir até o espaço delas mesmo para conversar e provas. Poxa vida! Sério?
Achei o atendimento ruim, os vestidos bem limitados, a desconfiança muito grande também. A pressão que a atendente me fez também para decidir logo... já comentei noutro texto que isso é tão errado... deixa a pessoa pensar, analisar, essa pressão não ajuda em nada! Esse povo tem muito o que aprender.

Um outro comentário bem importante: uma amiga minha casou em Toledo, em 2016, eu fui madrinha. Ela alugou um vestido e na semana do casamento foi lá e deu um problema com o vestido que ela havia escolhido e ela precisou de ultima hora escolher outro. Ah, e ainda por cima a diferença coube a ela pagar! Tipo: O QUÊ? Fiquei chocada, mas ela se encantou tanto com um da nova coleção que pagou e ficou feliz da vida, mas ah se fosse comigo não ia resolver assim facilmente não. Brincadeira um troço desses?
Não sei qual local que ela alugou, porque não importa, mas imagina que situação?

Outro comentário: nesse lugar que eu fui ver vestido em Toledo a moça me disse que os ajustes acontecem na semana do casamento e que ele fica sendo “meu” apenas 2 semanas antes do casamento.
No local que peguei em Curitiba o vestido fica “reservado” dois meses antes e dois meses depois para mim, ou seja, ninguém usa neste período e eu começo as provas 30 dias antes do casamento. Como o casamento será em Toledo, vou pegar o vestido uma semana antes, aguenta emoção de estar com ele e ter que esperar, mas vamo lá!

Acho que é isso.
Volto a dizer que a escolha deve ser feita com calma, tranquilidade e serenidade!
Eu acho que a minha escolha foi muito rápida porque encontrei logo o que queria e amei de mais a minha escolha. As vezes demora mais, as vezes menos. Faz parte!
Uma amiga que vai casar em outubro ainda esta indecisa, imagina?
Leve seu tempo, não se desespere e aceite qualquer coisa porque alguém esta te pressionando, isso é o que de pior pode acontecer, porque você fica encanada e se arrepende depois.
Vai com calma, deixa teu coração te guiar, se for pra ser seu vai ser!

Último comentário: 
O primeiro lugar que fui o local trabalhava com vestidos de marcas famosas, estilistas renomados e vestidos de coleções e por isso (eu acho) que os valores eram mais altos;
O segundo lugar era a pessoa que desenhava e fazia mesmo, mas aquilo: todos meios iguais de mais;
O terceiro lugar a pessoa desenha e faz também os vestidos, mas você já vê uma variedade de estilos bem mais ampla, você até acha que não foi a mesma pessoa que criou o modelo. Isso é bacana porque te traz muitas opções sabe? Uma coisa que achei bem legal também é que ela reforma os vestidos que ficam lá parados, ou se uma noiva sugere alguma alteração ela vê a possibilidade. Tipo, se eu quiser trocar também até o casamento, posso fazer também, claro vendo a questão dos valores e pagando, se for o caso, a diferença, vai que eu mudo de ideia não é mesmo? Além disso tudo os valores dela são muito mais acessíveis! 


Mais um comentário final (prometo): vestidos de noiva são atemporais, lembre-se disso! Você precisa gostar, se sentir linda e plena. Não fica indo pela moda porque não vale a pena!
Essa é a minha opinião, é claro!

Bom final de semana! :)

quinta-feira, 12 de março de 2020

O Conto da Aia – Margaret Atwood

Descobri esse livro no ano passado e logo ele foi para a minha lista!
O livro trata de uma distopia que se passa num futuro que não fica muito claro. O mundo passou por um processo de mudança por consequência da poluição, do desmatamento, de algumas doenças sexualmente transmissíveis que tornaram as mulheres inférteis, ou seja, elas não conseguem mais conceber.
Dentro deste contexto, mulheres que ainda conseguem engravidar são raptadas e colocadas num local onde elas passam por uma lavagem cerebral e são transformadas em Aias.
Para que esse universo emerja, houve um ataque a casa branca, a constituição foi derrubada e aconteceu essa revolução. Tem-se uma nova ordem criada e que passa a ter o poder de tudo e de todos nos EUA. Essa região é denominada de Giliad.
Dentro dessa “nova sociedade” quem manda são os homens, que são conhecidos como Comandantes. Alguns deles são casados com mulheres que já tiveram filhos ou que ainda podem tê-los, mas a maioria deles são casados com mulheres inférteis. Então para que a procriação seja possível, eles vão precisar de uma daquelas Aias.
Esse ritual que é descrito no livro é bem incômodo de se ler, porque é marcado o dia da “cerimônia”, o dia em que a Aia estaria mais fértil e acontece o ato. Enfim, sobre isso é incômodo porque, poxa vida, que situação, você fica pensando “Por que?”, você se sente sufocada por ler e ver que não tem o que ser feito para ser evitado...
Bom, seguindo...  
Cada uma dessas Aias é atribuída a uma família e recebe um nome. A personagem que conta a história pra gente não tem nome, ou não fica muito claro qual seria o seu nome. A personagem então passa a adotar o nome do comandante daquela casa que ela vai morar. Seu nome fica OFF mais o nome do comandante, no caso Fred: ela é chamada de Offred.
A Offred descreve o dia em que chegou na casa, seu quarto, sua rotina. No quarto, ela tem uma cama, uma mesa, uma cadeira, uma janela bem fechada, ela não recebe lápis, papel, é proibido que ela leia ou escreva qualquer coisa. Depois de uns dias ela descobre um escrito no quarto, numa madeira em algum lugar, uma frase cravada com algo pontudo. Diante disso, ela percebe que não é a primeira Aia daquela casa e fica curiosa tentando saber o que aconteceu com a Aia anterior. Eu não vou contar o que houve com essa outra Aia, mas é bem tenso quando ela descobre e isso gera mais inquietude nela sobre tudo.
A Offred mescla na sua narrativa, o que esta acontecendo com ela no tempo presente dessa nova sociedade e vai intercalando com seu passado, como tudo se deu, como essa revolução aconteceu e foi levando ela a chegar no contexto atual.
Ela não sabe muito bem como se tornou uma Aia, o que aconteceu no seu país quando o livro começa. Essas memórias de como era, com o processo de se tornar uma Aia vai surgindo em sua memória e ela vai tentando entender, porque é tudo muito bagunçado nas suas lembranças.
Essa revolução começa, em um primeiro momento ela é demitida do trabalho dela, dali a pouco ela descobre que não pode mais movimentar sua conta bancária, só o marido que pode. Aos poucos essa sociedade é transformada numa sociedade muito patriarcal. As mulheres vão perdendo todos os direitos possíveis dentro dessa nova ordem que emerge.
Assim, as que podem procriar são as Aias; as que cozinham serão as Marthas; as prostitutas vão para um bar.
Nessa nova ordem que se instaura Deus passa a estar acima de todas as coisas, Deus é uma figura masculina então consequentemente quem governa e comanda tudo passa a ser os homens.
A Offred passa por diversas situações, passa por uma angustia tremenda porque nesses lances de memorias ela fica relembrando momentos e tentando descobrir o que terá acontecido com o marido, com a filha pequena e isso é muito triste. Perceber essa tensão que ela passa, essa repressão é muito incômodo.
O livro termina aberto, porque você fica sem saber o que vem a seguir. Você fica lendo loucamente porque é um livro muito interessante e o final acaba e você fica no vácuo de uma continuação porque acaba sem acabar.

Depois de acabar a história, tem um capítulo extra que eu achei super interessante que traz a transcrição de uma palestrada dada por um professor universitário muitos anos depois desse acontecimentos do livro em que o professor vai analisar as fitas deixadas pela Offred. Dá a entender que ela gravou tudo, depois foi transcrito.
Esse professor trás elementos que viabilizam ou não o relato do livro, deixando em aberto o que pode ter acontecido.

Resumindo: o livro é bem interessante, te faz pensar sobre diversas coisas, tem uma continuação que saiu em 2019 que se chama “Os Testamentos” que já estou pensando em ler.

É isso, bom restinho de semana :)


segunda-feira, 9 de março de 2020

Sobre a escolha do vestido de noiva – Segundo Ateliê

Parte 2/3

Seguimos com meu relato.
Depois da primeira prova de vestidos comecei a pesquisar outros instagrans e tal e encontrei um que gostei muito e marquei uma visita. No contato eu disse mais ou menos o que havia pensado e que havia gostado muito dos modelos que havia visto no instatam.
Fui ao local, conversei e expliquei. O atendimento foi melhor, em comparação com o primeiro ateliê. A costureira/estilista conversou comigo e fui provar.
A abordagem dela foi tapar os olhos enquanto me vestiam para tirar quando o modelo estivesse perfeito no corpo.
Provei uns 5 vestidos, se não me engano.
Gostei bastante de um, mas ainda não era exatamente o que eu buscava.
Depois do primeiro ateliê fiquei meio ressabiada, resolvi ir com cautela e segurança. Eu havia gostado, mas existe um universo de vestidos de noiva e eu preciso conciliar tudo: ser como eu quero, eu amar em mim e o preço também é importante. Saí de lá com dois modelos em mentes. Gostei de um em especial mais ainda não era o certo, sabe?
Os preços eram altos também e depois eu comecei a olhar melhor o insta e reparei que os dois modelos que eu provei e havia gostado era meio que “o carro chefe” do ateliê. Tipo, todos os modelos era muito iguais e sei lá, desencantei bastante depois de uns dias e vi que o que eu queria era uma combinação entre o primeiro que havia provado e um pouco de um dos dois que provei lá. Queria tudo isso num só vestido e então devia seguir procurando, porque não era ainda o perfeito.
Depois dessa segunda prova eu percebi que precisava ir devagar e com tranquilidade. Como já disse na outra publicação: tem que pensar bem, analisar o custo benefício e escolher com tranquilidade.
Achei os preços bem altos, mas percebi que estava no caminho certo. Já havia esquecido completamente do primeiro modelo.
Pesquisei bastante também sobre o formato do meu corpo para pensar também o que cai melhor. Sou baixinha então nem todo modelo fica legal. Precisava encontrar algo que eu gostasse e me sentisse bem e ao mesmo tempo algo que me favorecesse.

Sobre a segunda prova de vestidos foi isso.
Daqui uns dias falo do terceiro e último local que fui e do vestido perfeito e do atendimento maravilhoso que tive.

Boa semana!!

quarta-feira, 4 de março de 2020

Sobre a escolha do vestido de noiva – Primeiro Ateliê

Como comentei, hoje vou contar como se deu este processo, parte 1/3 :)
Depois do pedido de casamento, quando começamos a falar na data e definimos qual seria foi então o momento em que a ficha caiu e quando eu percebi que deveria começar a ir atrás de um vestido de noiva.
Na minha cabeça eu não estava com pressa, nem preocupada quanto a isso, porque sei lá, são tantas coisas para organizar e faltava tanto tempo naquele momento, enfim... Conversando com uma conhecida minha que vai se casar um mês depois de mim, isso lá em outubro/novembro do ano passado, ela me disse que já estava vendo alguns ateliês e modelos. Ela me indicou um lugar aqui em Curitiba eu olhei o instagram, gostei de um modelo, marquei para ir vê-lo. Salvo engano, isso foi em outubro.
Fui até lá, empolgada mas receosa, eu fui sozinha, porque na real eu até prefiro, porque ao meu ver eu quero escolher algo que eu goste, sem a influencia de ninguém sabe?
Bom, fui sozinha e fui atendida.
Lá preenchi uma ficha com meus dados e colocando o valor que eu estava pensando em pagar numa locação de um vestido. O valor era menos que o mínimo deles, me senti meio constrangida com essa forma de atendimento. A moça me perguntou se eu era flexível quanto ao valor me passando o valor mínimo dos vestidos deles, e eu disse que sim, claro, o que poderia dizer?
Em seguida me trouxe um catalogo imenso com diversos modelos... Olhei, selecionei o que eu já havia visto no instagram e mais um do catalogo.
Detalhe importante: a moça me explicou que nesse local eles trabalham com coleções do ano anterior e do ano vigente, ou seja, era 2019, então a coleção que ela me ofereceu era 2018/2019. Os dois modelos que eu selecionei do catalogo eram 2018. Como meu casamento vai ser 2020, essa coleção 2018 vai sair de linha e vem a 2020. Isso significa que qualquer um dos dois modelos que eu selecionei para ver seriam ofertados com o valor mínimo dele (isso à vista) ou um pouco mais parcelado até a data do casamento. Caso eu gostasse e quisesse um dos dois eu não iria alugar, mas sim comprar porque eles estão sendo descartados porque vem a coleção nova e, me parece, ninguém quer vestidos “ultrapassados”. Como seria: eu escolheria, eles fariam os ajustes, eu pagaria a vista o valor mínimo ou parcelado o valor “normal” por assim dizer, pegaria o vestido na semana do casamento e ele seria meu. Daí vem a pergunta: o que uma pessoa faz com um vestido depois do casamento? Tipo, no caso de a pessoa mandar fazer ou comprar pronto... Pra mim não faz muito sentido, porque você vai vender? Vai guardar pra sempre com que proposito? Tá tem um significado e tal... mas gente, não vale a pena...
Resumindo sobre esses primeiros vestido que fui ver: eu gostei de um, saí de lá meio chocada pelos valores, mas depois aceitei que era o preço mesmo e não jeito... Achei o atendimento bem ruim, a abordagem péssima, sem contar a pressão que a moça me fez no final, porque eu perguntei até quando eu poderia dar uma resposta, se ela seguraria para mim caso eu escolhesse e o que ela me disse foi que se outra noiva gostasse e levasse ela não poderia fazer nada, que eu teria que escolher logo e garantir se caso eu quisesse mesmo aquele vestido.
Imagina só? Foi um terror psicológico bem chato, porque não é R$50,00 para você pagar e pronto, é um valor alto, que nem todo mundo tem assim para pagar na hora e tem que pensar bem, analisar tudo... não é uma blusa para você usar no dia a dia, é uma roupa que poxa vida, vai ficar pra sempre na memoria, nas fotos, sabe? Achei muito insensível a abordagem e tudo, odiei e vi que aquele lugar não era para o meu perfil.
Foram os primeiros que eu provei, nunca tinha me visto de noiva e é lindo mesmo... Achei que queria um modelo tipo aquele naquele momento e me pareceu que tinha que ser ele... Fiquei pensativa uma semana e depois comecei a pesquisar outros lugares e vi que aquele modelo não era o que eu realmente queria e encontrei outras opções muito melhores!
Só para finalizar ainda esse primeiro contato com vestidos de noiva: a gente precisa pesquisar, ir atrás, ver o que realmente a gente quer. Eu achei que aquele estilo de vestido era o que eu buscava, sai de lá achando que era o certo, mas depois, de cabeça fria, pensando melhor vi que não dá para agir por impulso, sempre existem outras opções e eu comecei a acreditar mais ainda que se fosse para ser meu aquele vestido ele seria. 
Talvez eu fosse olhar diversos outros e se ele ficasse na minha cabeça, se depois de olhar e olhar eu voltasse lá e ele estivesse ainda disponível para mim seria um sinal de que ele era o certo e eu ficaria com ele.
A gente não pode se entregar a pressão da vendedora, aceitar qualquer coisa porque a gente tá pagando, talvez eu não fosse mesmo o público dela, mas custa ser gentil? Poxa vida, tem coisas que eu não consigo entender.
Sem contar a máfia que esse ateliê me pareceu ser né?
Por que tá, agora somente vestidos do ano são bonitos? Somente vestidos feitos por estilistas super famosos é que são critério de elegância?
Pense bem sobre isso quando vocês estiver na busca do vestido ideal. O que você realmente busca? Qual seu estilo? Quem você quer agradar nesse dia?

Bom, eu não julgo ninguém que ache isso importante, no que tange a marcas famosas como critério de elegância e beleza. Cada um escolhe o que gosta e o que tem valor para si.
Para mim não serviu e tudo bem.
Pra mim vestidos de noiva são atemporais, quero ver as minhas fotos daqui a 20 anos e achar meu vestido lindo e perfeito como eu acho hoje. Não quero olhar e ver que escolhi um modelo da moda da época que passou e eu achar ele brega e feio. 
Enfim... Tem espaço para todos os público é só pesquisar. 
Não se obrigue a se encaixar, cada um é cada um e pronto, você será uma noiva linda com o vestido que você amou. 
Detesto pessoas que vão em casamentos e comentam depois: "Nossa que vestido feito, não caiu nada bem nela..." 
Tipo, sério que eu ouvi isso? Porque a pessoa que comenta isso fala isso diante do seu gosto, porque analisa comigo: você acha mesmo que uma noiva vai escolher um vestido horrível? Um vestido que ela não esteja minimamente se sentido linda e plena? Não faz sentido! Se ela está vestindo é porque procurou, pesquisou, provou, ajustou e está se achando linda, plena e maravilhosa nessa dia que é só dela. 
Então a pessoa que fala isso demonstra ser muito egoísta e insensível. 
Você pode não gostar da maquiagem, do vestido ou sei lá do que mais porque não faz o SEU estilo, mas ninguém escolhe algo para ficar feia, lembre-se disso! 
Respeite as escolhas dos outros, cada um é cada um e pronto!

Daqui uns dias posto sobre a segunda prova de vestidos de noiva porque hoje já escrevi de mais! 

Bom restinho de semana! :)