quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Adolescência

Sempre gostei muito de escrever, tanto é que desde meus dez anos, quando ganhei meu primeiro diário da minha mãe, tenho este hábito. Quando o ganhei na verdade não sabia bem o que fazer com ele, nos primeiros dois anos escrevia só quando me lembrava, ou quando algo importante havia acontecido, algo que me inspirasse e me fizesse ter vontade de escrever. Depois destes dois anos comecei a escrever diariamente, ou seja, desde meus doze anos. Há alguns anos atrás me livrei de alguns, os mais velhos, porque eram coisas bobas, coisas que passaram e não vi mais a necessidade de tê-los. Nesta última semana, depois de dois anos pensando sobre as agendas e diários que ainda possuía numa caixa grande em cima do meu guarda roupa, resolvi pegar e ler algumas coisas, diários de onze anos para cá... Sempre achei que um dia isso tudo poderia virar livro, como a gente é boba! Relendo percebi que adolescentes são chatos e dramáticos de mais! Tinha a necessidade de escrever, de expor o que estava sentido no papel, isso foi ótimo porque hoje vejo como isso me ajudou a ter mais facilidade de escrever sobre qualquer coisa, mas tudo tem seu tempo, acabei me desfazendo de tudo.

Queria saber, por que as pessoas tem esse costume? De achar tudo idiota depois de um tempo... Claro, a gente amadurece, muda, percebe o quão ingênua e infantil éramos, mas tudo isso nos torna o que somos hoje!

Tenho alguns conhecidos/as, que hoje já não chamo mais de amigos/as, porque com o tempo as pessoas mudam, os caminhos seguem rumo diferente, as ideias passam a não bater mais, o que leva ao afastamento, tornando essas pessoas apenas “conhecidas”. Essas pessoas, com que passava muito tempo, hoje sentem vergonha, das fotos, do que eram, de como usavam o cabelo e por aí vai. Não sei por que mais eu sinto falta de alguns momentos, de como eu era, de como tudo era mais simples. Não voltaria no tempo nem trocaria meu presente pelo passado, mas aprecio ele, gosto das lembranças pelo momento em que elas aconteceram e de como isso me nostalgia hoje. Somos serem insatisfeito, sempre achamos que estamos no nosso auge, mas devido ao movimento dialético a cada dia nos achamos melhor, nos afastamos devido ao tempo que se esvai naturalmente e devido a isto acharmos que hoje é o nosso auge novamente e criticamos o que éramos.

O movimento da vida não é interessante?
Tem coisas que não se explicam, elas acontecem e pronto.
Já dizia o bom e velho Raul:

“Eu prefiro seeeeeeer, esta metamorfose ambulante... Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...”