Sempre gostei muito de escrever, tanto é que desde
meus dez anos, quando ganhei meu primeiro diário da minha mãe, tenho este
hábito. Quando o ganhei na verdade não sabia bem o que fazer com ele, nos
primeiros dois anos escrevia só quando me lembrava, ou quando algo importante
havia acontecido, algo que me inspirasse e me fizesse ter vontade de escrever.
Depois destes dois anos comecei a escrever diariamente, ou seja, desde meus
doze anos. Há alguns anos atrás me livrei de alguns, os mais velhos, porque
eram coisas bobas, coisas que passaram e não vi mais a necessidade de tê-los.
Nesta última semana, depois de dois anos pensando sobre as agendas e diários
que ainda possuía numa caixa grande em cima do meu guarda roupa, resolvi pegar
e ler algumas coisas, diários de onze anos para cá... Sempre achei que um dia
isso tudo poderia virar livro, como a gente é boba! Relendo percebi que
adolescentes são chatos e dramáticos de mais! Tinha a necessidade de escrever,
de expor o que estava sentido no papel, isso foi ótimo porque hoje vejo como
isso me ajudou a ter mais facilidade de escrever sobre qualquer coisa, mas tudo
tem seu tempo, acabei me desfazendo de tudo.
Queria saber, por que as pessoas tem esse costume? De
achar tudo idiota depois de um tempo... Claro, a gente amadurece, muda, percebe
o quão ingênua e infantil éramos, mas tudo isso nos torna o que somos hoje!
Tenho alguns conhecidos/as, que hoje já não chamo
mais de amigos/as, porque com o tempo as pessoas mudam, os caminhos seguem rumo
diferente, as ideias passam a não bater mais, o que leva ao afastamento,
tornando essas pessoas apenas “conhecidas”. Essas pessoas, com que passava
muito tempo, hoje sentem vergonha, das fotos, do que eram, de como usavam o
cabelo e por aí vai. Não sei por que mais eu sinto falta de alguns momentos, de
como eu era, de como tudo era mais simples. Não voltaria no tempo nem trocaria
meu presente pelo passado, mas aprecio ele, gosto das lembranças pelo momento
em que elas aconteceram e de como isso me nostalgia hoje. Somos serem
insatisfeito, sempre achamos que estamos no nosso auge, mas devido ao movimento
dialético a cada dia nos achamos melhor, nos afastamos devido ao tempo que se
esvai naturalmente e devido a isto acharmos que hoje é o nosso auge novamente e
criticamos o que éramos.
O movimento da vida não é interessante?
Tem coisas que não se explicam, elas acontecem e
pronto.
Já dizia o bom e velho Raul:
“Eu prefiro seeeeeeer, esta metamorfose ambulante...
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...”