quinta-feira, 17 de abril de 2014

Crenças

A questão de “Deus” é algo muito interessante no mundo, pois as pessoas meio que necessitam disso para justificar inúmeras incapacidades na vida, como se a razão por si só não alcançasse a explicação de tudo. Conheço pessoas que tudo o que acontecem na vida delas remetem-se a: “Porque Deus te colocou no meu caminho”, “Porque Deus quis que eu aqui estivesse...” não sei por que, mas tenho a impressão de que jogar tudo a algo tão abstrato é fugir de remeter a si suas conquistas e derrotas. 

Há alguns meses estive abalada com alguns problemas pessoas e frequentei certa igreja evangélica, a primeira vez que fui achei bacana, me senti em paz, me fez bem... Na segunda vez também, mas na terceira e quarta, depois de algumas conversas percebi que a crença deles não me convencia, porque acreditar em vida eterna, como é o caso dessa igreja, como se esta fosse a única opção correta e que todas ou qualquer outra não está certa, não me foi suficiente. Não me foi suficiente porque não acho que para esta questão só existe um caminho. 

Por que as pessoas acham que só a sua religião é a correta? O que a faz ser melhor do que a minha? Isso eu acho ridículo, porque na minha concepção, Deus, se é que existe um criador, porque às vezes eu me pergunto isto também, acredito que ele seja um só, são as pessoas que criaram religiões e preconceitos quanto às outras, mas em essência Deus é único, vai para além de qualquer igreja que prega seja lá o que for. 

A bíblia foi escrita por homens, às interpretações são diversas. Acho interessante que existem pessoas que “pregam a palavra” tão lindamente, mas que no fundo é pura falsidade. Dizem-se fieis, mas quando alguém faz uma crítica, não conseguem encara-la como algo bom. Dizem-se crentes, mas são incapazes de enxergar para além do seu “umbigo”. Dizem-se crentes, mas são falsas, egoístas, tem medo de que algo lhe seja roubado. Dizem-se fieis, mas são incapazes de tolerar o próximo, de ser simpático, de sorrir para o outro. Que tipo de FIEL é esse? Não leio a bíblia, não vou à igreja, mas não tenho o habito de fazer mau as pessoas, tento ser justa nas minhas ações, me preocupo com quem me importo acima de tudo. 

Acho hipocrisia essas “santinhas” que existem por aí aos montes, que vão à igreja, dizem-se fieis, pregam a palavra acima de tudo, mas as suas ações não mostra isso. Como é possível? Será que eu sou a errada? Sempre me pergunto, acho até que já mencionei isso aqui anteriormente, por que o que outro faz e/ou acredita incomoda tanto as pessoas? Não sou preconceituosa, acho que a bíblia deve pregar isso também, mas porque os que a leem são então preconceituosos? Existe aí algo muito errado!

Que Deus é esse, que dizem os homens que prega tantas coisas? Não acho que se existe mesmo um Deus ele queria ver o mau de seus “filhos”. Acho que o que os homens dizem que deus quis dizer é o que convém a esses homens, porque Deus, coitado, nunca vi ele se defender... Pelo que já ouvi falar, para tudo existe perdão e esse Deus é bem misericordioso... 

A vida acontece aqui! O que vem depois, aaah é problema para uma Alícia do futuro. Não quero dizer que quem tem uma religião esteja errado, eu só quero que haja respeito para com as outras, não quero sofrer preconceito pelas minhas crenças ou por não tê-las. A vida é tão curta para ficar sendo mesquinho a esse ponto. Se o estado é laico, me parece que isso já deveria ter sido superado há muito tempo!

 Sempre fui muito aberta a concepções, tanto que na minha graduação de Filosofia, o que me instigou estudar foi isso, tanto que o título do meu trabalho de conclusão de curso é “Da possibilidade de uma Educação Religiosa em Rousseau”. 

A questão da religiosidade vai surgir de modo natural na vida do indivíduo, ele tendo ou não contato com alguma religião, vai acontecer pela necessidade de acreditar em algo que justifique suas incapacidades ou não. O sujeito deve ser emancipado a tal ponto que posso decidir por ele mesmo se quer ou não acreditar em algo. No meu tcc, defendo a ideia de que na educação o indivíduo deve se desenvolver plenamente, até o ponto que ele seja capaz por si próprio de escolher o seu caminho, ou seja, voltando-se para a religião, que ele possa escolher e/ou dizer se existe nele a necessidade de se justificar por um deus ou não.  

Pretendo algum dia, quando dispuser de mais tempo, relatar passagem do meu tcc.

A vida é curta, os conflitos são muitos, mas resolve-los só depende de você. Não faça tanto drama, o mundo não pára para que você possa resolver seus problemas. Faça o bem e o bem acontecerá a você. O céu e o inferno estão aqui.